SOMOS TODOS UM BANDO DE IDIOTAS
O BOCA DO INFERNO
Daniel Alves joga pelo Barcelona e pela seleção brasileira. Seleção, clube e jogador são internacionalmente badalados. Quando ia bater um escanteio contra o Villarreal, num jogo do campeonato espanhol, um jovem jogou uma banana, chamando o de macaco. Ele a pegou e comeu. Nem sei porque estou contando essa cena, todo mundo está de saco cheio de vê-la.
Neymar, instruído pela agência LODUCCA, cansado de ser chamado de macaco também, aproveitou a oportunidade para lançar a burra campanha "SOMOS TODOS MACACOS". Solidariedade ou autopromoção?
Segundo Daniel, comer a banana, foi um ato espontâneo. Não pareceu, ainda mais quando há uma agência de publicidade com o gatilho preparado para disparar a bomba. Pegando carona no fato, Luciano Huck lançou uma camiseta para ser vendida a quase setenta reais. Diante da grita geral, como quem foi pego com batom na cueca, se penitenciou e prometeu doar o lucro para as instituições sociais. Não disse quais.
Artistas, políticos, anônimos estão se promovendo às custas de Daniel Alves e seu ato "espontâneo", por isso apareceram comendo banana, brincando com a situação. O próprio Daniel, sentido-se usado e abusado, mudou o discurso, agora diz que a frase deveria ser: "Somos todos humanos". E mais uma obviedade: "Somos a evolução disso".
Vários setores da sociedade combatentes do racismo também gritaram contra a campanha, mas andam falando pra ninguém. Um racista não deixará de ser racista se for preso. O espanholzinho já conseguiu defensores que apelaram para a vitimização. O racismo está no cerne da Europa conquistadora.
Não somos todos macacos, segundo o filósofo Daniel: "Somos todos humanos". Será? Uma boa parte de nós, é desumana. Tortura, mata, destrói, em nome do dinheiro, do status, do poder.
"Você não entendeu, cara pálida. Não é isso que está em discussão" – diria você, caro leitor. É isso sim. Não somos todos iguais porcaria nenhuma, ao contrário, somos diferentes e é nessa diversidade que reside toda a nossa condição.
A pluralidade faz o mundo girar. A questão fundamental é como lidar com essas diferenças. Como respeitar as diferenças étnicas, religiosas sociais e culturais. Como combater os radicalismos.
Oportunismo tanto quanto água e comida tem limites. Celebridades, sub-celebridades aparecerem comendo banana, apenas reforça o preconceito, mas acreditam, na sua vasta inteligência, que estão protestando. Um fato ocorrido num estádio de futebol, tendo por trás uma agência de publicidade, não ataca a raiz do problema, nem abre, de uma forma séria, a discussão. Parece mais uma patacoada de televisão.
Esse fato ocorrido com um brasileiro, na Europa, não tira do Brasil a pecha de país racista. E pior ainda, de uma das mais torpes formas de racismo, o racismo "cordial". Tinga também foi vítima desse crime, contudo é menos famoso, não dá IBOPE MUNDIAL, talvez seja por isso que ninguém pôs uma peruca rastafari para se engajar numa campanha séria, muito menos idiota que essa.

