{"id":820,"date":"2013-10-04T12:43:26","date_gmt":"2013-10-04T15:43:26","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/?p=820"},"modified":"2014-11-23T17:12:23","modified_gmt":"2014-11-23T20:12:23","slug":"inacabada-por-falta-de-rima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/2013\/10\/04\/inacabada-por-falta-de-rima\/","title":{"rendered":"JF S\u00d3"},"content":{"rendered":"<p>Juiz de Fora. Somente&#8230; S\u00f3 mente&#8230; mente&#8230; s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Juiz de&#8230;Fora&#8230; ju\u00edzo de Fora&#8230; hist\u00f3ria longe de ora&#8230; Juizforanos mundo afora&#8230;<\/p>\n<p>Parto. Fujo do \u00fatero da minha m\u00e3e. Parti para fora pra sempre. Cidad\u00e3o do mundo. Parto. Partido. Dividido.<\/p>\n<p>Sou cidad\u00e3o do mundo. Mundo imundo. Mundo fecundo. Desmundo.<\/p>\n<p>Saio do \u00fatero da cidade. Ganho estrada. JF. Apenas imagem. Congelada no retrovisor do \u00f4nibus&#8230; depois do carro. Partidas<\/p>\n<p>Outras vezes. Tantas vezes Parti&#8230; tantas lembran\u00e7as paridas&#8230; Sempre&#8230; Parto&#8230; Dividido&#8230; decidido&#8230;<\/p>\n<p>Nunca me senti aqui&#8230; nunca fui de l\u00e1&#8230; Fiquei no meio do caminho&#8230; Onde minha perna manca me levar\u00e1?&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei muitas coisas&#8230; Muitas delas jamais saberei&#8230; At\u00e9 quero&#8230; Mas n\u00e3o poderei&#8230; Faltam testemunhas&#8230; Gente<\/p>\n<p>Nunca mais voltei Estive de volta Parei Vi Constatei Apalpei Tropecei Dei as costas N\u00e3o olhei pra tr\u00e1s Andei pra frente N\u00e3o voltei Jamais voltarei. Fim. The End.<\/p>\n<p>Lembran\u00e7as? Lamban\u00e7as?&#8230; Passadas&#8230; Finadas? Quem o sabe! Nem eu.<\/p>\n<p>N\u00e3o mais o Bar do Beco, suas mulheres. Maquiagens de palha\u00e7o de circo Mesas de lata. \u00a0Passageiras. Guich\u00ea . Prazer pago. Mal pago. Depois frustra\u00e7\u00e3o. Potes de esperma. S\u00f3s. Somos todos s\u00f3s. Nascemos s\u00f3s. Pernas de fora seios de fora necessidades de fora. Na madrugada o samba can\u00e7\u00e3o Mesas de lata. Vermelhas ora brahma ora cocacola. \u00c0 meia madrugada Bar da Bebel: alco\u00f3latras an\u00f4nimos sin\u00f4nimos de ningu\u00e9m. O Priv\u00ea: b\u00eabados conhecidos Sin\u00f4nimos de algu\u00e9m. Turma. Agora. Fechado. Enterrado. Com nossas lembran\u00e7as. O alicerce do edif\u00edcio as sepultou&#8230; garrafas vazias leo roberto Geraldo beto pc&#8230; Nunca mais todos se foram uns continuam juiz outros fora<\/p>\n<p>Nunca mais a chuva molha bobo eri\u00e7ando os pelos. A pele maltratada. Corpo gelado. Inconformado. Cora\u00e7\u00e3o. Atormentado. Os amores seus odores dissabores infratores os amores poss\u00edveis os desejos imposs\u00edveis dois corpos exprimidos no muro que a consternada lei da f\u00edsica se ajoelhou consternada diante do desmentido dois n\u00e3o ocupam sim o mesmo lugar. No espa\u00e7o. Ofegantes. Cansados. Extasiados. Suados. Boca na bo\u00e7a. Sexo ro\u00e7ando sexo. Se espurrando. At\u00e9 gozar. As mulheres lindas feias as feias feias feias lindas. Mulheres comuns. Incomuns. Todas ali. No Gald\u00eancio. Na escola de samba. Ensaiavam a dan\u00e7a do acasalamento. Era sempre s\u00e3bado. Era sempre de noite.<\/p>\n<p>As que viam atrav\u00e9s da gente as que nos viam atrav\u00e9s das lentes. Voc\u00ea \u00e9 lindo dentro desse carro importado diziam elas com bocas batons vermelhos. Promessas. Elas. Todas elas hoje t\u00eam rugas, estrias&#8230; Como n\u00f3s casaram Engordaram Tempo cruel N\u00e3o perdoa Maltrata mais o belo O que todo mundo v\u00ea O que nos chama Assim h\u00e1 muito mataram nossas fantasias de despeitados que precisam ter o belo a fantasia na vida.<\/p>\n<p>Para pais, capitalismo, futuro, fam\u00edlia, filhos, tudo&#8230; Por isso passeatas Nossas bandeiras rotas Nosso romantismo tolo tosco de ocasi\u00e3o &#8220;Vida&#8230; Morte&#8230; Vida&#8230;&#8221; com torresmo debaixo do bigode do bigode este sim revolucion\u00e1rio dicion\u00e1rio de palavr\u00f5es Nossos cora\u00e7\u00f5es com cerveja a &#8220;Pulsar&#8221; de \u00f3dio de paix\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o. Mudar tudo. O mundo. Com Discurso. Punho cerrado. S\u00f3 na mesa do bar<\/p>\n<p>A \u00fanica responsabilidade de n\u00e3o ter responsabilidade. Alguma. Nenhuma. Tudo agora \u00e9 Passado. Repassado. Transpassado. Amassado. Impresso em folha de papel. Nesta folha onde o Tempo \u00e9 finito. O ontem. Fim. S\u00f3 lembrar. Retratos pregados na mem\u00f3ria recuperados em r\u00e1pidos encontros? ou desencontros? Nossa identidade. Nossas impress\u00f5es Como \u00e9ramos igualmente comuns. Muitas rusgas nenhumas rugas.<\/p>\n<p>Todos ficaram. S\u00f3 mem\u00f3ria. S\u00f3 quem viveu as tem. Ou ela nos tem? Ficou aquela posi\u00e7\u00e3o congelada S\u00f3 est\u00e1 o ONTEM S\u00f3. Um peda\u00e7o dele morre todo hoje. Existe o HOJE. S\u00f3. O agora. Nos punhos. Cerrados. Novas. Novas exig\u00eancias. Experi\u00eancias. Obriga\u00e7\u00e3o de vencer na vida. Ou apanhar dela. Ela imprime suas marcas. Nos vincos nas m\u00e3os na testa no pesco\u00e7o em volta dos olhos&#8230;. Cabelos brancos&#8230; ou falta deles. Barrigas proeminentes. Poucos encontros nos passam a limpo. O que \u00e9 o sucesso? O domado ou o domador? Nossa identidade se perdeu sem b\u00fassula. Amor \u00e9 contato. Hoje o sil\u00eancio de elevador constrangedor nada a fazer. Nem a dizer. Dist\u00e2ncias trituram torturam a falta dos porqu\u00eas. Nada temos mais a nos dizer. &#8220;Vidas Secas&#8221;. Olho pra eles &#8220;eu me lembro das pessoas que um dia eu fui&#8221; Eles n\u00e3o.<\/p>\n<p>Bolsos vazios. Bocas cheias palavras palavras discursos v\u00e3os. Nus. Copos sempre vazios. Priv\u00ea frequentadores. Indiferentes. alguns contentes outros dementes. Contatos nascentes. Todas as noites quase semelhantes. Sem beber iguais. Juiz de Fora. Correntes das quais dif\u00edcil cidade emoldurada. Risadas. Piadas. Feliz idade. De um tempo contado&#8230; Ficou pra tr\u00e1s. Morreu. J\u00e1 n\u00e3o \u00c9&#8230; virou tema, poema ao toque de um dedo. Vida. \u00c9. Corrida como na janela de um trem. A dist\u00e2ncia longe dos olhos das mentes dos corpos dos cora\u00e7\u00f5es&#8230; Tudo vai ficando ficando desmanchando uma esp\u00e9cie de &#8220;Simfonia solit\u00e1ria em dor maior&#8221;. Lembran\u00e7a d\u00f3i. Constroi e desconstr\u00f3i.<\/p>\n<p>Cicatrizes n\u00e3o fecham feridas meus fantasmas minha vida no cal\u00e7ad\u00e3o tatuagens hist\u00f3ria de uma passagem escondida debaixo da pele. Peda\u00e7os de mim ficaram por l\u00e1 naquelas esquinas onde escolhi caminhos para trilhar. Amar. Desamar. Programar. Jurar. Dizer. Desdizer. Retratar em contos poemas riscos rastilhos n\u00e3o mais. eu mesmo. juiz de mim. Sei que estou melanc\u00f3lico. Me vejo de bin\u00f3culo. Mal me reconhe\u00e7o. Me desconhe\u00e7o.<\/p>\n<p>Ra\u00edzes. Juiz de Fora. onde aprendi. Desaprendi. Ri. Sofri. Escrevi meu MANIFESTO Em dose. Intensa. Extensa. Pretensa. Minhas ra\u00edzes invis\u00edveis. Indiz\u00edveis. Longas caminhadas. Madrugada adentro. D\u00f3i dentro. Drogas arrancadas uma a uma dia ap\u00f3s dia. Que desperdicei. Fui mais longe do que queria. Juiz de Fora apenas algo estranho da qual sa\u00ed, mas que nunca saiu de mim. Nem vai sair como uma doen\u00e7a. uma tatuagem uma cicatriz. Meu amor meu desamor meu ber\u00e7o Meu tumor vou deixando na estrada por onde eu passar. Onde pisar com meu p\u00e9 sujo de tempo Onde eu me sentar.<\/p>\n<p>Vivo agora outro mundo outro pa\u00eds. Outro lar. Homem dividido ao meio. Corpo. Alma. Cora\u00e7\u00e3o. J\u00e1 fui de l\u00e1 estando aqui aqui j\u00e1 fui de l\u00e1. Agora. Partido ao meio. N\u00e3o sou nem de l\u00e1 nem daqui. meu lado esquerdo se esqueceu do direito. De mim&#8230; N\u00e3o. A vida cumpriu seu papel. Me rachou de vez. Sou de mim. Dos meus. A morte n\u00e3o me assusta. a VIDA sim&#8230; A vejo de fora&#8230; por fora&#8230; afora. Agora. Hoje. S\u00f3. sem revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Avenida rio branco que vem e vai sempre para o mesmo lugar Feliz paraibuna que est\u00e1 s\u00f3 de passagem algu\u00e9m disse com voz embostada sem nenhuma mentira por\u00e9m sem nenhuma verdade. Falou quem n\u00e3o vive nela. N\u00e3o tem presen\u00e7a f\u00edsica l\u00e1. Agora JF est\u00e1 l\u00e1 longe. Talvez at\u00e9 a noite chegar. E eu poder deitar pensar me deixar levar<\/p>\n<p>O tempo cruel. Da \u00faltima vez, vi as pessoas, seus contornos esmaecidos. Rotundos. O que era belo ficou comum. O que era feio ficou comum. \u00a0Juiz&#8230; \u00a0Fora&#8230; De fora&#8230; Pra fora. N\u00e3o h\u00e1 reconhe\u00e7o mais. N\u00e3o a quero mais. Nunca voltei. Estive nela. Com ela. Pela janela do apartamento a medi. A medida criou uma roupa que n\u00e3o me cabe mais. Jamais voltarei. N\u00e3o tenho \u00a0a posse dela. Nem lembran\u00e7a consciente. Minha mente mente.\u00a0 Terei JF. S\u00f3. Na carteira de identidade na certid\u00e3o de nascimento Na impress\u00e3o digital. Nada mais. Cad\u00ea o Jo\u00e3o XVIII da minha adolesc\u00eancia? Da minha pobreza intelectual? Da constru\u00e7\u00e3o da minha moral? Onde est\u00e3o as pessoas? Dona Terezinha? Danilo? S\u00e9rgio? Seu Raul?<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o n\u00e3o onde n\u00e3o se mexem mais S\u00f3 se eu program\u00e1-las em sonhos. Est\u00e3o incondicionalmente presas sorrisos ensaiados de fotografia abrem feridas eu era feliz e n\u00e3o sabia&#8230; S\u00f3 vejo juiz de fora enfiada no retrovisor do \u00f4nibus do carro se indo indo indo indo&#8230;<\/p>\n<p>Saudades do que eu era. Nunca mais serei. Nem poderei o tempo n\u00e3o deixar\u00e1 jamais&#8230; ele n\u00e3o perdoa&#8230;Passa a vida a ferro&#8230; Mas deixa o poema&#8230; Sem ele n\u00e3o tenho vis\u00e3o nem inspira\u00e7\u00e3o&#8230; Nada&#8230;<\/p>\n<p>A \u00e1gua de chuva cai. Essa chuva. N\u00e3o volta mais&#8230;<\/p>\n<p>mem\u00f3rias ficam pingando como ela ou mergulhadas na cerra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>mem\u00f3rias s\u00e3o novelos rolos de filme instantes atropelados raiva paix\u00e3o<\/p>\n<p>E como doem&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juiz de Fora. 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