{"id":1434,"date":"2016-07-11T19:22:11","date_gmt":"2016-07-11T22:22:11","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/?p=1434"},"modified":"2016-07-11T19:26:34","modified_gmt":"2016-07-11T22:26:34","slug":"os-comedores-de-batatas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/2016\/07\/11\/os-comedores-de-batatas\/","title":{"rendered":"OS COMEDORES DE BATATAS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/files\/2016\/07\/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1438\" src=\"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/files\/2016\/07\/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters-300x226.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/files\/2016\/07\/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters-300x226.png 300w, http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/files\/2016\/07\/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters-1024x772.png 1024w, http:\/\/cursocriar.com\/poetadegaveta\/files\/2016\/07\/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>(LUIZ CL\u00c1UDIO JUBILATO &#8211; 08\/07\/2016)<\/p>\n<p>O velho Vincent era louco, disse o bi\u00f3grafo louco para ter raz\u00e3o. Louca raz\u00e3o. Vincent nasceu velho. Escreve certo por linhas tortas ou escreve torto por linhas certas ou escreve torto com o torto. Suas raz\u00f5es, redige com pinc\u00e9is. Seus pinc\u00e9is tra\u00e7am linhas bizarras. Suas canetas escancaram em tra\u00e7os grotescos a grosseira pocilga, onde pernoitam uns quase homens focinhentos, focinhos de ratazanas avan\u00e7avam sobre batatas murchas. Murchas carnes. Muxibas. Mendigas criaturas. Criaturas famintas da cria\u00e7\u00e3o. Olhos sangu\u00edneos esbugalhados perscrutando as carnes e muxibas das caras uns dos outros. Famintos. Reconhecem-se na mis\u00e9ria da fome.<\/p>\n<div>\n<p>Os ratos amontoam-se na toca l\u00fagubre de luz ba\u00e7a. L\u00fagubres n\u00e3o se tocam. S\u00e3o um ajuntamento de quase gente em andrajos. A loucura de Vincent escarra na cara do comensal observador sua natureza s\u00f3rdida, distorcida, de n\u00f3s, enojados, como se a cena contivesse baratas. Mas, baratas n\u00e3o t\u00eam focinhos, mas os focinhos devoraram baratas batatas. As cores de Vincent n\u00e3o falam, nem gritam, nem berram, escarram. As cores corrosivas se comem e se transpassam, pulsam e se expulsam, juntam-se e desajustam-se. O quadro, de janelas fechadas, \u00e9 a escara da fechadura para o que n\u00e3o queremos ser.<\/p>\n<p>Nosso futuro bi\u00f3grafo ter\u00e1 suas raz\u00f5es para tentar obter a nossa falta de raz\u00e3o, quando frios, como m\u00e1rmore de carrara, nos vemos diante dos comedores de areia e bebedores de petr\u00f3leo. Aqueles consumidos pela peste da fome. Aqueles que abandonam suas semicasas. Aqueles cujos corpos d\u00e3o nas praias enrugados. A morte enruga. Aqueles que est\u00e3o soltos pelo mundo em busca de porqu\u00eas. Eles, os roedores comedores, est\u00e3o ali, est\u00e3o aqui; as batatas baratas tamb\u00e9m; as raz\u00f5es sem raz\u00e3o tamb\u00e9m, a loucura tamb\u00e9m, mas Vincent n\u00e3o, nem os porqu\u00eas. Nem suas cores, nem seus tra\u00e7os que exp\u00f5em as v\u00edsceras, as feridas da mis\u00e9ria humana que nos recusamos a entender. Mas, vamos falar de cor cinzenta amarronsada do quadro cena janela: O velho Vincent n\u00e3o precisa estar onde sempre esteve. Sua biografia \u00e9 o seu tracejado violento, seres que saltam das telas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(LUIZ CL\u00c1UDIO JUBILATO &#8211; 08\/07\/2016) O velho Vincent era louco, disse o bi\u00f3grafo louco para ter raz\u00e3o. Louca raz\u00e3o. Vincent nasceu velho. Escreve certo por linhas tortas ou escreve torto por linhas certas ou escreve torto com o torto. Suas raz\u00f5es, redige com pinc\u00e9is. Seus pinc\u00e9is tra\u00e7am linhas bizarras. 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