Criar Redação Unidades      Instagram     Facebook     YouTube     Telefones     Contato       
Você está aqui: Home > Poeta de Gaveta
PRATO FEITO – TRATO FEITO

 

(Por Luiz Cláudio Jubilato)

 

PRATO FEITO

 

como as tuas entranhas estranhas, entre perna e barganhas, caminho torto, para mim

como a comida em toques sutis vis por um tris, sem vontade dignidade, semblante absorto para mim

como quem me devora me apavora e demora, entre tropeços e adereços, pele arrepiada para vir

como o teu dia a dia repleto de porções anêmicas polêmicas, sem pendências comigo, para ir.

 

TRATO FEITO

 

Contra mim, impassível não entrega teu corpo nem se desapega dos teus escombros

nem foge nem fica, estaca como estátua escondendo-se descarnada desalmada em cima da cama

nem gagueja nem pragueja, pára como pária submissa carregando meu peso sobre os ombros

Apesar dos teus ardis, aprendi com cada objeto, cada dejeto, que não és uma dama, mas sim mucama.

 

PRATO FEITO – TRATO FEITO

 

Não me envolvo com tuas carícias nem absolvo as tuas malícias armadas pra me entristecer

Ofereceste a mim na cama como prato feito de comida farta, mas sua frieza não tarda torpe a aparecer

Trata-me com indiferença, como se fosse uma doença, trato feito, com desrespeito para me vencer

És  meu engano escarrado e cuspido como amante, outrora estonteante, cuja beleza insiste em envelhecer.

 

THE END

 

O final de um amor infinito se resume em raiva e culpa

cada um usa seus medos e inseguranças como desculpa

os outrora amantes civilizados que juram amor eterno

agora brigam por panelas, cachorros e até por um terno

as juras de amor que, no namoro, soavam como trato feito

no fim do casamento, acumulam ressentimentos num prato feito

 

 

 19 de maio de 2013
seja o primeiro a comentar 
BREGA

(Por Luiz Cláudio Jubilato)

 

Conheço o teu mundo fútil de cor e salteado

por isso fiz esse poema pensando em ti

por mais que me sentisse abandonado

 

Conheço teu beijo morno de cor e salteado

teu corpo nunca aqueceu o meu

por mais que pedisse desesperado.

 

Conheço teus carinhos frios de cor e salteado

tua boca jamais tocaram meus lábios

por mais que implorasse ensimesmado.

 

Conheço teu coração tolo de cor e salteado

teus ouvidos nunca ouviram minhas súplicas

por mais que gritasse minha dor atordoado.

 

Sei que esse poema é muito brega

com um refrão pisado e repisado

tal qual uma velha canção sertaneja

cantada por um velho músico desafinado.

 

 11 de maio de 2013
seja o primeiro a comentar 
NÃO SOU MÃE
(Por Luiz Cláudio Jubilato)
PARA MINHA MULHER, UMA SUPERMÃE
Não sou mãe, mas, se fosse, estenderia as asas para aquecer meus filhotes nas noites frias de fome e/ou de desespero.
Não posso ser mãe, mas, se pudesse, seria também boca, para beijar e acalentar meus filhos em cada vitória, em cada fracasso, em momentos de solidão, em instantes de deslumbramento.
Não imagino como é ser mãe, mas, se imaginasse, teria de imaginar-me geratriz de gerações, flor no pântano, socorro de gemidos desesperados, mesmo tendo vaticinado, sem sucesso, a possibilidade de dar errado.
Não seria capaz de ser mãe, mas, se fosse capaz, teria de carregar na barriga sorrindo de contentamento o DNA da promessa… promessa da perpetuação da família.
Nasci homem, por isso não sei o que é carregar na seiva que corre nas veias um amor incondicional à prova de tempestades, reveses, esquecimento, abandono e até desprezo.
Não sei o que é doar um pedaço de mim com fé no coração, sorriso nos lábios e certeza na mente.
Ser mãe é muito mais que educar, é mentir para salvar, é cantar para enxugar as lágrimas, é segurar a mão para resgatar a cria do abismo para aconchegá-la no colo, afagar seus cabelos, como se os braços fossem o ventre da natureza.
Qual mãe não é tudo isso e muito mais?
A TODAS AS MÃES, TODOS OS DIAS FELIZES NESSA VIDA QUE, APESAR DE TODOS OS PESARES, VALE A PENA VIVER.
 11 de maio de 2013
seja o primeiro a comentar 
Ah! TESTADO

Atesto para os devidos fins que, apesar da minha vida cibernética, da minha roupa antisséptica, minha preocupação estética…Fui vampirizado pelos pseudo estetas de plantão, os animais políticos da situação, os intectualóides de ocasião… Pelo noticiário direcionado, o discurso encomendado, o crítico pseudo-intelectualizado…. Engoliram, sem que eu percebesse, meu resto de humanidade, de sensibilidade, de intelectualidade… Quem são eles? Os donos da mįdia? Os proprietários dos escravos do capital? Os deturpadores do que é conceitual?

 

Atesto ciente do meu fim que minha cara como minha alma cabem dentro de uma tela. Me tornei um monstro manipulado, um beócio ridicularizado por quem enfim, descaradamente, manda em mim… Fui vampirizado….  agora idiotizado, domado, sem religiosidade, sem Deus, sem credibilidade. A minha alma gira medida em gigabytes, megabytes, terabytes… Minha cara virtual montada, construída, mais nítida que na vida dita normal. Hiperrealismo, sem idealismo, sem didatismo, mas com individualismo, ceticismo… Espírito crítico sem cosmovisão, sem observação, mas com deturpação, com submissão… Quem são eles? Os disseminadores do caos? Os incentivadores do mal? Os engenheiros da sociedade? Os opressores da dignidade?

 

Atesto com um determinado fim que estriparam a verdade, estupraram minha dignidade, maquiaram a realidade… Minha suposta identidade vem antes do @, o carimbo que atesta minha existência, depois. Esfrego meu corpo, não faxino meu espírito torto, não limpo a minha pele, minha conduta submissa me repele… Não tenho nenhum alento, não experimento nenhum sentimento, apenas tormento… Deturparam a ciência, comeram minha inteligência, deglutiram  minha consciência. Quem são eles? Os que zombam de nós? Os que fizeram da nossa revolta uma mentira cheia de nós?

 

Atesto para todos os fins, que os usurpadores da honestidade engambelam quem tem dignidade. Argonauta de um mar nunca dantes navegado, navego agora por um ciberespaço, sem dimensões nem compasso… O Google converteu-se na minha memória, no meu saber, no meu conceber, na minha história… A Wikipedia confronta o meu pseudo-conhecimento, o meu discernimento, o meu descobrimento. Minha face no Facebook, me traz amigos que na rua jamais distinguirei, através da tela jamais abraçarei. O Instagran é o meu Dorian Gray, recusa-se a me envelhecer, jamais minhas rugas irá remover. Eternamente jovem, sorriso engarrafado, semblante congelado, ser robotizado… Quem criou tudo isso? Os que riem de nós? Os que nos transformaram em compradores sós?

 

Atesto para qualquer fim que fui idiotizado. Aceito, como normal, o beijo ensaiado, o sexo coreografado, o homem puro animal. Sou apenas um número nas estatísticas, na conta do cartão de crédito, para o call center, para o entregador de pizzas… Quem são eles? Os que abusam de nós? Os imbecis que fizeram da nossa felicidade uma realidade atroz? Quero um mundo que se viabilize - ”Eu sou um ser humano: por favor, não dobre, não perfure, não mutile”.

 17 de abril de 2013
seja o primeiro a comentar 
AVE, PALAVRAS
Amador: ama a dor
Regador: rega a dor
Semeador: semeia a dor
Armador: arma a dor
Cultivador: cultiva a dor
Divulgador: divulga a dor
Relator: relata a dor
Vencedor: vence a dor
Complicador: complica a dor
Elevador: eleva a dor
A palavra na mente de um escritor incongruente brinca somente
com o significante
ou o significado que às vezes mente.
                                                                  (POR Luiz Cláudio Jubilato)
(Por Luiz Cláudio Jubilato)
 14 de abril de 2013
seja o primeiro a comentar 
ACORDE COMO AMOR

O acorde arranha a noite. Acorde.

que a escuridão não é boa conselheira.

 

Como o alimento nutre a vida. Como.

que a comida sacia o corpo.

 

O amor atiça o cio. Amor.

que o desejo entorpece a alma.

 

 

 

 13 de abril de 2013
seja o primeiro a comentar 
UM HOMEM E SUA OBRA

Por Luiz Cláudio Jubilato

A mulher gera, geratriz.
O homem constrói, construtor.
Cada um conta sua história. Cada um carrega sua memória. Cada um provoca uma extensão de si.

Criar é uma aventura visceral, ancestral.

Sem fronteiras. Sem barreiras. Sem garras. Sem amarras.
Gerar ideia é angustiante. Estonteante. Estressante. Ofegante.
É como o parto de um filho.
Parir um filho é uma experiência pessoal. Única.

Criar tem o exato tamanho da imaginação.

E a imaginação não conhece limites. Nem prisões. Nem concessões.
Nutre-se de impressões, sensações, emoções, definições, indefinições, relações…
Alimenta-se de vozes, sons, imagens, experiências, consequências, incongruências…
Come a sanidade, a lógica, a dignidade, a acessibilidade, a verdade, a paridade…
Vive de sinestesias, anestesias, idiossincrasias, aleivosias…
É voar. Sem asas. Sem rumo. Sem destino. Sem atenção.

O parto é uma aventura reveladora.

Um filho é uma ideia, que transmutada em corpo.
Antes de nascer, já nasceu na imaginação do pai, nos medos e anseios da mãe.
Nossas digitais estão nos seus traços.
No seu sangue, nosso DNA, nossa história, nossos erros, nossa glória.
Como toda ideia, arrebenta paredes, dilacera as entranhas para existir.
Até que a luz, sempre a luz, vem nos informar suas formas.
O que era apenas pensado, agora é concreto.
Saiu de nós para ganhar o mundo…
e o mundo vai formá-lo, deformá-lo, transformá-lo, reformá-lo.
Com fórceps, alivia o percurso para se chegar à respiração, à oxigenação.
Sem fórceps, a tarefa é mais árdua, apertada, labiríntica, igualmente tensa, prazerosa, comovente.

A obra é um filho.

Um filho é uma obra… em constante mutação.
Uma metamorfose diária…
A cada olhar de um parente, complacente, indiferente, referente…
A cada visão de um inocente, um inconsequente, um sorridente, um sobrevivente…
Um revés a cada tentativa de explicação, de comemoração, de definição.
Rompe com nossas convicções.
Só é nossa enquanto a temos dentro de nós.
O que planejamos para ela perde o sentido quando as pessoas se apropriam dela.
Rompido o útero da imaginação, encontra as palavras, expressões, frases, orações… E silêncio.

Criar uma obra é parir um filho.

A obra toma forma à medida que começa a existir fora de nós.
Quando ganha o mundo… que a distorce, torce, entorse, estorce…
Ganha vida nos olhos dos outros, na sua entonação, na sua respiração, na sua convicção.
Parte de nós, essência de tudo.
Uma dor atroz, vivência em surto.
Mescla de amor, torpor, terror, ardor…
Uma obra é vísceras, sangue, estômago, intestino, cosmovisão, universal, atemporal…
O que a mata não é a faca, mas a indiferença.

** Luiz Claudio Jubilato é professor de Língua Portuguesa e Redação. É mantenedor do Criar – Sistema de Ensino de Língua Portuguesa. Email; luizclaudio@cursocriar.com.

 04 de abril de 2013
seja o primeiro a comentar 
O INFERNO SOMOS NÓS MESMOS

O mundo em mim. Fogo nas veias. Abismo na alma. Boca seca…

Vozes variadas. Vários tons. Gritos em profusão. Batalhas. Guerras. Nenhuma solução.

É inverno em mim. Folhas secas sem adubar o chão. Tempestade nos olhos. Deserto nas veias. Vida árida.

Lobo nas entranhas. Ideias nas montanhas. Grito sufocado. Abafado. Defasado.

Inferno em mim…

Tolice em si. Ignorei meus argumentos, pensamentos, sentimentos. Sentir, na verdade, é uma forma de saber…

Ciúme tolo. Marcar os outros. Minhas unhas alongadas. Ferro em brasa. Minha propriedade…

Amor. Dor. Extravasamento. Suor. Desejo. Tesão. Vulcão.

Inferno em mim…

Medo em mim. Medo em ti. Desespero em nós. Nós não desatados. Destinos embriagados.

O verme trasmuta minha seiva. O frio carcome minhas entranhas. Desprezo as minhas leis.

Inferno em mim…

Amordaçar a verdade. Trombetear a mentira. Falsidade. Nenhuma lealdade. Labirinto em mim.

Caminhos tortos. Soco nas palavras. Calamidade em mim. Restos de ti. Nenhum beijo. Nenhuma luz…

Braços inanimados. Nenhum abraço. Dança sem compasso. Sexo com odor. Cárie. Pobre dor.

Inferno em mim…

 

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO)

 26 de março de 2013
seja o primeiro a comentar 
SOLIDÃO

Estar só, é ouvir as batidas do próprio coração.

Um homem está sozinho, quando depende de alguém para limpar sua bunda, limpar o seu catarro, escovar os seus dentes, vestir as suas roupas, enfiar a colher na sua boca, esperar a sua mastigação…

Um homem está só, quando torce desesperadamente pelo time do coração e é capaz de matar por ele nas derrotas e morrer por ele nas vitórias.

Um homem está só, quando os rabiscos que quer fazer deles poesia não mais despertam reação, porque ninguém os lê; quando os acordes de sua música não dizem mais nada, porque ninguém tem mais interesse em ouvi-la.

Um homem está sozinho, quando, trancafiado entre paredes, vive de acariciar o pênis, como se quisesse deseperado concretizar seus sonhos e ambições e tesões…

Um homem está sozinho, quando tem medo de ter medo; quando não tem medo de ter medo; quando a sudorese, a tremedeira, o coração saindo pela boca, o frio consumindo as estranhas, se escancaram na face apavorada.

Um homem não é mais homem, quando não é mais capaz de sentir, de ajudar, de se enternecer, de se amar, de amar, de se indignar, de pedir, de consertar, de desacertar, de perder a coerência, de ser coerente, de criticar, de descobrir, de se descobrir, de definir como se tudo coubesse numa camisa de força, tranfiando a espontaneidade, os resquícios de humanidade…

Um homem não é mais homem, quando mergulhado em si mesmo, não consegue mais se achar; quando o pecado o faz um deus que só dialoga consigo para poder perdoá- lo; quando o fanatismo o consome a ponto de destruí-lo internamente, externamente, para jamais reconhecer-se.

(Luiz Cláudio Jubilato – 30/06/2013)

 

 

 15 de março de 2013
seja o primeiro a comentar 
CAMINHADA
E hoje começo, recomeço
me faço e me refaço
me lanço e me arremesso
no fim e no começo
me desfaço e me díluo
diminuo no passo e me concentro
Faço meu momento com ou sem sofrimento
e aprendo com o vento a não ter direção
faço do meu peito minha morada
lugar de caminhada, minha maior emoção
Pois sigo aquilo que vem de dentro
do intimo, das pequenas coisas
das frutas, das flores e dos espinhos
do fundo da alma, oceano adentro
onde no coração desse epicentro
se constrói e se refaz caminhos.
Luti Gonçalves
 26 de janeiro de 2013
seja o primeiro a comentar 
MENU
BUSCA
ARQUIVO
janeiro 2018
D S T Q Q S S
« jun    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  
Criar Redação | www.cursocriar.com
1991-2018 © Todos os direitos reservados
Desenvolvimento: Netmarco.com