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DISTA

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 03/10/2013)

 

Há distâncias… e… distâncias

as postas

e

as impostas

 

As postas rabiscadas em linhas tortas finas e grossas

nos mapas

 

As impostas arraigadas em linhas e entrelinhas cimento e areia

nas palavras

 

postas concretas possivelmente transpostas

impostas diretas friamente propostas

 

 02 de novembro de 2013
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CIVILIZAÇÃO DA DOR

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 02/10/2013)

 

Inventamos

o amor, o terror, o torpor com tudo a dor

 

domesticamos

os selvagens, os homens, os animais

domaDOR

Cultivamos

o poder, os governos, os alienados

cultivaDOR

Inventamos

o compensaDOR, o elevaDOR, o amaDor

 

sádicos

sem fervor, vivemos o terror da dor do amor

masoquistas

sem fervor, mergulhamos no amor terror da dor

 

 02 de novembro de 2013
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PERSONAS

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 02/10/2013)

 

Um livro, dentro tramas, metáforas, metonímias, o suor do autor

construtor

quem escreve a obra? o leitor? o escritor?

conflito

o leitor, ser perigoso, de posse da trama

absorve-a, engole-a, expele-a

conflito

desconstrutor

O leitor é, mas não é só cliente,  comprador

conflito

transmuta-se em co-autor

compra palavras? personagens? trama? leva de brinde o autor?

onde fica o talento? em quem sabe dizer dizendo o que seduz o comprador?

não é a literatura que não envelhece

é o leitor que, em sua total complexidade, que insiste em não mudar.

 02 de novembro de 2013
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CATRACAS

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO  - 02/10/2013)

 

Cada pessoa tem seu guarda roupa

peças quanto caras combinadas, arrumadas para usar

A cada manhã abre a gaveta, agarra uma, vê seu oposto no espelho

nem pensa, automaticamente veste ambas e sai, vê, crê: é possível

nesse dia mudará a si, tudo. Mudará o mundo

daqui a cinco minutos, perdendo pele, mascando chiclete, cuspindo na rua

nada, nada, nada mesmo está igual

suada, come o fast food, toma banho, abre o guarda roupa

enfia a mão na gaveta

agora, com forças recobradas  insiste em recomeçar

A cada noite chega joga o mundo agora velho no sexto de roupas sujas

o jantar, requentar o fast food da manhã, nada, nada realmente é igual

abre o guarda roupa retira a última cara com a roupa do dia

sexo cumprido, dever cumprido, tarefas cumpridas, de manhã recomeçar

pra viver o amanhã como hoje, o hoje como o ontem, o ontem como o anteontem

assim foi, assim é, assim será… como sempre está sendo.

 02 de novembro de 2013
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EM QUE ESQUINAS FICARAM OS NOSSOS IDEAIS?

(PROFESSOR LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 18/10/2023)

 

Nossos filhos entoavam hinos à liberdade, contaminamos cada um deles com o desvario da esperança. Levantávamos os punhos cerrados.  Brigávamos contra nossos próprios erros. Cremos na paz, mas usá-la para provocar a revolução. Nossas certezas exprimiam-se entre os cantos das bocas e o ranger dos dentes. Os perdigotos balizavam a secura da nossa saliva. Nossas vozes roucas ganhavam corpo. Queríamos a revolução. Marchávamos sem fuzis, pistolas nem canhões. Nossas armas são nossos corpos, nossa indignação. Os velhos carregavam nos ombros as saudades dos anos 60: “Caminhando e cantando/e seguindo a canção/somos todos iguais/braços dados ou não”. Os jovens gritavam, com raiva, por uma nova nação, sem politicagem, sem corrupção: “Quem sabe/faz a hora/não espera acontecer”. Roçavam seus corpos suados invocando a democracia, única teia que os uniam.

Milhares de pessoas marchavam sem coturnos, mas com disposição. A multidão cansada investiu contra bandeiras viciadas de partidos empanturrados de poder. Sindicalistas infiltrados levaram bofetadas com suas bandeiras surradas, pois queriam tomar para si a paternidade da revolução. Os que tinham cara de dedos duros e cabos eleitorais foram reduzidos a ratos escorraçados, o que, na verdade, são. Nas esquinas das cidades, embolavam-se berros, punhos, cartazes e cidadãos.

Na multidão de anônimos, a criancinha carregada no colo do pai exibia a foto:  ”Minha fralda é mais limpa que o congresso nacional”. A foto nos telejornais, nas capas de revistas e jornais virou o que se chama hoje de marketing viral. Todos os que viram, riram. Todos os que riram, não viram o óbvio. Todos os que riram, não se reconheceram na foto. Ela é a síntese da nossa incompetência, de toda a nossa alienação. Nós estamos na merda. Os porcos continuam entocados no poder. Sabemos onde estão, fazendo o que e por quê? Por que não prestamos atenção nos risos sarcásticos, nos discursos cheios de palavras intraduzíveis para os pobres, repletos de sedução?

A toca é a síntese do não: não fazemos nada para os outros, somente para nós; não adianta gritarem, não acreditamos em revolução; não, não interessa o que quer o povo, se for preciso sacrificaremos gerações. Vamos dar ao populacho, à patuleia ensandecida o que ela mais ama, mas não sabe o que elas escondem: um monte de promessas vazias e siglas que ninguém entende, mas aprecia: ENCEJA,  PROUNI, ENEM, PAC.

Aprendemos que política não se discute, detestamos política, odiamos os políticos. Preferimos as novelas, o chope, o ódio represado, não canalizado, que não nos leva a lugar nenhum. Surgem os profetas nos bares; os revolucionários da sala de aula; os universiotários do dizer e do desdizer: uns pregam em grego, outros gritam em latim, muitos falam em inglês, a maioria não faz nada em português.

Essa criança um dia será um jovem, o tempo exibirá sua foto, sua curta história. Riremos mais uma vez, mas o que contaremos a ele? Por que nossos gritos e atitudes não limparam o cocô? Conseguiremos, com nossos olhos sem lágrimas, esbugalhados, pasmados, dizer a ele que, mais uma vez fracassamos? Fomos manipulados. Desviaram nossas atenções do que era mesmo importante. Até quando usaremos esse discurso de que a culpa não é minha, não votei em ninguém? São todos iguais, todos assaltam alguém.

Nossas bandeiras eram amplas demais. Então, por que as empunhamos? Por que permitimos que um bando de idiotas tomassem de assalto os protestos legítimos que fazíamos? Ah! Alguém dirá: “Isso é democracia. Todo mundo tem o direito de se manifestar”. É verdade: até todos aqueles que jamais assumirão suas culpas. Até aqueles que só se indignam antes do jantar. Até aqueles que nunca mudam e nunca contribuíram com nada pra mudar. Até mesmo os modistas, os que desfilaram nas ruas suas grifes porque era modismo gritar.

A democracia é assim, tem seus princípios básicos: todo mundo tem o direito de falar e também se calar. Os porcos continuam ditando as regras, na “democratura”, comendo no almoço e no jantar fatias suculentas da nosso trabalho, nossas idiotices, convertidas em poder. E, nós, acorrentados em nossos pelourinhos invisíveis, ainda temos o despautério de reclamar. Vamos continuar com essa história de que a democracia é assim? Então devemos ter uma ditadura? Claro que não. Porém, do jeito que está e estará, não pode ficar.

Os que se disseram revolucionários um dia, mas não quiseram, nesse momento crítico, se levantar. Vêm com o discurso burro e fracassado de que fizeram tudo para mudar. E tudo está como está. Eles são a frauda. Por culpa deles que não nós legaram nada e por que também nào achamos saída é que somos a frauda e estamos na merda.

 

 22 de outubro de 2013
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O QUE DIREMOS AOS NOSSOS FILHOS?

(PROFESSOR LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 18/10/2023)

 

Pegamos em hastes. Pregamos nelas panos.

Rabiscamos palavras de ordem.

Fizemos passeatas. Nossa arma são nossas vozes.

Instituímos com paus e pedras a desordem.

Cortamos essas hastes com nosso suor.

Carregamos cartazes, faixas. Berramos: “NÃO”.

Não temos heróis. Não temos certezas.

Não temos barreiras. Berramos: “SIM”.

Sim, faremos a revolução. Sim, destruiremos a corrupção.

Sim, teremos o pão. Berramos: “SENÃO”.

Senão invadiremos o congresso.

Senão, quebraremos tudo: PELO SIM, PELO NÃO.

 

O que faremos, agora, dos nossos corações…

 

Há gente blefando

Os que protestavam, sumiram das ruas.

Os que já protestaram um dia, nem descolaram a bunda dos sofás

Os que corrompem, solaparam nossos ideais, caparam refrões das nossas canções,

cegaram nossos olhos com bombas de gás

Não, não chegamos até agora a lugar algum.

Sim, sim nossa vingança contra as raposas políticas ficou para trás

 

O que faremos, agora, com os nossos corações…

 

Agente matando

A polícia infiltrada estropiando palavras de ordem,

vontades e corpos.

A polícia com seus cassetetes e truculência reduzindo ideias,

opiniões a pós

A polícia apoiando líderes

comprados arrastando nossa força por caminhos tortos

A polícia atrás de escudos e

bandidos mascarados massacraram as convicções de todos nós

 

A gente começou

Vencendo a luta por 20 centavos.

Perdendo para partidos conchavados.

Partidos de olhos arregalados nas próximas eleições

Politiqueiros com a boca aberta para engolir milhões e milhões

 

Bandeiras e anseios traziam reivindicações amplas demais

Problemas estruturais não se resolvem apenas com decretos federais

Nossas garras, como queríamos, não arrancaram o Brasil dos falsos trilhos

Não temos agora o que dizer, no futuro, aos companheiros, nem aos nossos filhos

 

Nossa boca

Hoje desdentada, não mais grita, acostumada a calar amordaçada.

Hoje cariada, mostra o desespero das nossas vozes desafinadas.

 

O que faremos, agora, sem as multidões, nem as nossas razões,

nem as nossas canções, muito menos nossos corações?

 

 

 18 de outubro de 2013
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JF SÓ

Juiz de Fora. Somente… Só mente… mente… só…

Juiz de…Fora… juízo de Fora… história longe de ora… Juizforanos mundo afora…

Parto. Fujo do útero da minha mãe. Parti para fora pra sempre. Cidadão do mundo. Parto. Partido. Dividido.

Sou cidadão do mundo. Mundo imundo. Mundo fecundo. Desmundo.

Saio do útero da cidade. Ganho estrada. JF. Apenas imagem. Congelada no retrovisor do ônibus… depois do carro. Partidas

Outras vezes. Tantas vezes Parti… tantas lembranças paridas… Sempre… Parto… Dividido… decidido…

Nunca me senti aqui… nunca fui de lá… Fiquei no meio do caminho… Onde minha perna manca me levará?…

Não sei muitas coisas… Muitas delas jamais saberei… Até quero… Mas não poderei… Faltam testemunhas… Gente

Nunca mais voltei Estive de volta Parei Vi Constatei Apalpei Tropecei Dei as costas Não olhei pra trás Andei pra frente Não voltei Jamais voltarei. Fim. The End.

Lembranças? Lambanças?… Passadas… Finadas? Quem o sabe! Nem eu.

Não mais o Bar do Beco, suas mulheres. Maquiagens de palhaço de circo Mesas de lata.  Passageiras. Guichê . Prazer pago. Mal pago. Depois frustração. Potes de esperma. Sós. Somos todos sós. Nascemos sós. Pernas de fora seios de fora necessidades de fora. Na madrugada o samba canção Mesas de lata. Vermelhas ora brahma ora cocacola. À meia madrugada Bar da Bebel: alcoólatras anônimos sinônimos de ninguém. O Privê: bêbados conhecidos Sinônimos de alguém. Turma. Agora. Fechado. Enterrado. Com nossas lembranças. O alicerce do edifício as sepultou… garrafas vazias leo roberto Geraldo beto pc… Nunca mais todos se foram uns continuam juiz outros fora

Nunca mais a chuva molha bobo eriçando os pelos. A pele maltratada. Corpo gelado. Inconformado. Coração. Atormentado. Os amores seus odores dissabores infratores os amores possíveis os desejos impossíveis dois corpos exprimidos no muro que a consternada lei da física se ajoelhou consternada diante do desmentido dois não ocupam sim o mesmo lugar. No espaço. Ofegantes. Cansados. Extasiados. Suados. Boca na boça. Sexo roçando sexo. Se espurrando. Até gozar. As mulheres lindas feias as feias feias feias lindas. Mulheres comuns. Incomuns. Todas ali. No Galdêncio. Na escola de samba. Ensaiavam a dança do acasalamento. Era sempre sãbado. Era sempre de noite.

As que viam através da gente as que nos viam através das lentes. Você é lindo dentro desse carro importado diziam elas com bocas batons vermelhos. Promessas. Elas. Todas elas hoje têm rugas, estrias… Como nós casaram Engordaram Tempo cruel Não perdoa Maltrata mais o belo O que todo mundo vê O que nos chama Assim há muito mataram nossas fantasias de despeitados que precisam ter o belo a fantasia na vida.

Para pais, capitalismo, futuro, família, filhos, tudo… Por isso passeatas Nossas bandeiras rotas Nosso romantismo tolo tosco de ocasião “Vida… Morte… Vida…” com torresmo debaixo do bigode do bigode este sim revolucionário dicionário de palavrões Nossos corações com cerveja a “Pulsar” de ódio de paixão de revolução. Mudar tudo. O mundo. Com Discurso. Punho cerrado. Só na mesa do bar

A única responsabilidade de não ter responsabilidade. Alguma. Nenhuma. Tudo agora é Passado. Repassado. Transpassado. Amassado. Impresso em folha de papel. Nesta folha onde o Tempo é finito. O ontem. Fim. Só lembrar. Retratos pregados na memória recuperados em rápidos encontros? ou desencontros? Nossa identidade. Nossas impressões Como éramos igualmente comuns. Muitas rusgas nenhumas rugas.

Todos ficaram. Só memória. Só quem viveu as tem. Ou ela nos tem? Ficou aquela posição congelada Só está o ONTEM Só. Um pedaço dele morre todo hoje. Existe o HOJE. Só. O agora. Nos punhos. Cerrados. Novas. Novas exigências. Experiências. Obrigação de vencer na vida. Ou apanhar dela. Ela imprime suas marcas. Nos vincos nas mãos na testa no pescoço em volta dos olhos…. Cabelos brancos… ou falta deles. Barrigas proeminentes. Poucos encontros nos passam a limpo. O que é o sucesso? O domado ou o domador? Nossa identidade se perdeu sem bússula. Amor é contato. Hoje o silêncio de elevador constrangedor nada a fazer. Nem a dizer. Distâncias trituram torturam a falta dos porquês. Nada temos mais a nos dizer. “Vidas Secas”. Olho pra eles “eu me lembro das pessoas que um dia eu fui” Eles não.

Bolsos vazios. Bocas cheias palavras palavras discursos vãos. Nus. Copos sempre vazios. Privê frequentadores. Indiferentes. alguns contentes outros dementes. Contatos nascentes. Todas as noites quase semelhantes. Sem beber iguais. Juiz de Fora. Correntes das quais difícil cidade emoldurada. Risadas. Piadas. Feliz idade. De um tempo contado… Ficou pra trás. Morreu. Já não É… virou tema, poema ao toque de um dedo. Vida. É. Corrida como na janela de um trem. A distância longe dos olhos das mentes dos corpos dos corações… Tudo vai ficando ficando desmanchando uma espécie de “Simfonia solitária em dor maior”. Lembrança dói. Constroi e desconstrói.

Cicatrizes não fecham feridas meus fantasmas minha vida no calçadão tatuagens história de uma passagem escondida debaixo da pele. Pedaços de mim ficaram por lá naquelas esquinas onde escolhi caminhos para trilhar. Amar. Desamar. Programar. Jurar. Dizer. Desdizer. Retratar em contos poemas riscos rastilhos não mais. eu mesmo. juiz de mim. Sei que estou melancólico. Me vejo de binóculo. Mal me reconheço. Me desconheço.

Raízes. Juiz de Fora. onde aprendi. Desaprendi. Ri. Sofri. Escrevi meu MANIFESTO Em dose. Intensa. Extensa. Pretensa. Minhas raízes invisíveis. Indizíveis. Longas caminhadas. Madrugada adentro. Dói dentro. Drogas arrancadas uma a uma dia após dia. Que desperdicei. Fui mais longe do que queria. Juiz de Fora apenas algo estranho da qual saí, mas que nunca saiu de mim. Nem vai sair como uma doença. uma tatuagem uma cicatriz. Meu amor meu desamor meu berço Meu tumor vou deixando na estrada por onde eu passar. Onde pisar com meu pé sujo de tempo Onde eu me sentar.

Vivo agora outro mundo outro país. Outro lar. Homem dividido ao meio. Corpo. Alma. Coração. Já fui de lá estando aqui aqui já fui de lá. Agora. Partido ao meio. Não sou nem de lá nem daqui. meu lado esquerdo se esqueceu do direito. De mim… Não. A vida cumpriu seu papel. Me rachou de vez. Sou de mim. Dos meus. A morte não me assusta. a VIDA sim… A vejo de fora… por fora… afora. Agora. Hoje. Só. sem revolução.

A Avenida rio branco que vem e vai sempre para o mesmo lugar Feliz paraibuna que está só de passagem alguém disse com voz embostada sem nenhuma mentira porém sem nenhuma verdade. Falou quem não vive nela. Não tem presença física lá. Agora JF está lá longe. Talvez até a noite chegar. E eu poder deitar pensar me deixar levar

O tempo cruel. Da última vez, vi as pessoas, seus contornos esmaecidos. Rotundos. O que era belo ficou comum. O que era feio ficou comum.  Juiz…  Fora… De fora… Pra fora. Não há reconheço mais. Não a quero mais. Nunca voltei. Estive nela. Com ela. Pela janela do apartamento a medi. A medida criou uma roupa que não me cabe mais. Jamais voltarei. Não tenho  a posse dela. Nem lembrança consciente. Minha mente mente.  Terei JF. Só. Na carteira de identidade na certidão de nascimento Na impressão digital. Nada mais. Cadê o João XVIII da minha adolescência? Da minha pobreza intelectual? Da construção da minha moral? Onde estão as pessoas? Dona Terezinha? Danilo? Sérgio? Seu Raul?

As pessoas estão não onde não se mexem mais Só se eu programá-las em sonhos. Estão incondicionalmente presas sorrisos ensaiados de fotografia abrem feridas eu era feliz e não sabia… Só vejo juiz de fora enfiada no retrovisor do ônibus do carro se indo indo indo indo…

Saudades do que eu era. Nunca mais serei. Nem poderei o tempo não deixará jamais… ele não perdoa…Passa a vida a ferro… Mas deixa o poema… Sem ele não tenho visão nem inspiração… Nada…

A água de chuva cai. Essa chuva. Não volta mais…

memórias ficam pingando como ela ou mergulhadas na cerração.

memórias são novelos rolos de filme instantes atropelados raiva paixão

E como doem…

 

 

 04 de outubro de 2013
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VITA,VÃOS E SEUS DESVÃOS

(PROF.:LUIZ  CLÁUDIO JUBILATO)

 

Ruas vêm, ruas vão. Os passantes tropeçam nos seus próprios calçados, nos vãos. Nos pedaços de calçada, nos desníveis, nas poças d’água, nos pedintes, nos vendedores de falsidades, nos proxenetas travestidos de gente.

Passageiros enfrentam-se do queixo para baixo. Os homens olham para trás, as mulheres visam e desvisam os olhos sempre para frente. Guerra. Ombro a ombro. Balé de mancos: um pra lá; dois pra cá.

Passantes passageiros espremem-se entre a parede e a sarjeta. Emburrecidos, nem se viram emparedados; equilibristas, põem um pé aqui, outro ali; um na calçada, outro no asfalto. Roçam nos outros. Não se olham. Não se veem. Nunca se sentem. Jamais se sentirão.

Engenheiros quebram as ruas com as esquinas. Nelas penduram a cangalha entre os postes. Todo gado tem de olhar pra cima. Para os lados. Para frente. Pra trás. Firmar o corpo pra não ser empurrado. É a regra, a lei para os boçais.

A cangalha amarela avisa: “Olha! A morte é vermelha. Pare. Pense. Está à espreita no corpo parado ou nos riscos de pneus no asfalto; a liberdade é verde, pode ser mera ilusão. Andar guiado por sinais. Prisão. Algemas invisíveis. Muletas. O vermelho projeta a grade por trás dos olhos, é sangrar; O verde é a esperança. Quebra os grilhões. Nos tira da inércia. Será?

Quantos sacrificaram vidas avançando; quantos a mantiveram ao parar? Quantos morreram parados; quantos escaparam ao se projetar? A necessidade nos obriga a seguir. Cumpriremos. Temos de engolir qualquer competidor. Deglutir um opositor. Carregamos o cabresto. Estamos armados de impaciência, suor, desejo, metas, distância. Querem nos adestrar os gurus de gestão, os chefes de setor, os comensais. Estamos debaixo do relho. Gemeu, está fora. Despedido. Mandado embora.

Senho franzido. Corrida suada. Olhos fixados na presa. Impregnados das incertas certezas. Temos de seguir os manuais para resolver irresolutas questões. Há uma bíblia guiano nossas atitudes, encarcerando em mandamentos também em tópicos nossa inensatez, nossa lucidez, nossa estupidez.

Somos passantes passageiros como que na janela de um trem. Passageiros no guichê de uma rodoviária. Passantes no eterno check in do aeroporto. Por um segundo, nos encontramos,  nos percebemos, nunca nos sentiremos, mesmo se a máquina parar. Seres máquinas. Escolha própria. Pessoal.

Passantes passageiros carimbados com o fedor na pressa da cidade que borbulha, anestesia, estupra, consome, violenta. Nós um dia sairemos dela, ela, com seus nós, jamais sairá de nós.

Ruas, seus vãos, uns os veem, outros desvãos. E todos nós habitamos nossos corpos, as mentes dos outros. Que nos desprezam. Que nos amam. Que nos querem dentro de si ou não. Estamos sós, com nossas saudades, desejos, medos, construções. Queremos o mar. Queremos a terra. Queremos a segurança. Queremos voar. As vitórias não nos redimem, as derrotas também não. Carregamos conosco nossas carnes já sustentadas por nossos ossos. A vida é mera condição.

Estamos estacados na esquina. Cidade quebrada. destinos quebrados, senão emaranhados. A prisão ou a libertação não interessam.  Ignoramos o verde e o vermelho. Esticamos a mão. Gritamos: táxi!!! Cheio. O condutor finge não nos ver. A nossa existente inexistência à beira da calçada. Não é um corpo, mas mera mão.

Se vazio, o condutor pára para saber se , do nosso destino, se dignará a participar. Olha os nossos trajes, afinal correspondeu somente ao nosso sinal, ao nosso anseio. Somos apenas agora a nossa mão. Abre os dentes sem simpatia. Somos agora a carne apenas para preencher o estômago do vazio. Sustento. Nada mais.

Os dias são assim enfim: táxis param ou avançam obedecendo a sinalização. Cheios de vida, não param para ninguém. Carregam os  protagonistas das prmessas. Das comédias, tragédias, séries de possibilidades. Os vazios procuram nas calçadas os coadjuvantes, diretores dirigidos, roteiristas de bares soturnos onde escrevem todos os dias o roteiro da sua cultivada também adubada solidão.

 

 

 13 de setembro de 2013
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COBRA
quinta-feira, 05 de setembro de 2013

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO)

 

A Obra cobra.

Eu. Checar o dentro de mim vislumar o fora de nós

A Obra veneno.

Eu. Meu tormento me remoendo por causa do imundo

A obra desdobra.

Eu. Protagonista ferino trama rindo de tudo ferindo o mundo

 

A Obra devora

canta fala cheira afoga come fede até se empanturrar capítulo a capítulo de nós autor leitor

insiste com suas idas e vindas em me mudar eu soberano autor dono de destinos proprietário da trama

cada vez que nos enfrentamos em nossos muitos eus ela me repele me abraça me compele

aceito o desafio de transformá-la, atualizá-la, reorganizá-la, do início até o clímax, até o ponto final

ela cospe na minha cara minha pura inocência de momento quanto as minhas prerrogativas eram criancices ingênuas

ela não aceita esse novo risco eu me arrisco a um novo encontro e então ela exige nosso desencontro

 

A Obra tem identidade

Reage não abre mão de sua identidade não quer ser reescrita ela é a mesma mas eu autor não

toda obra tem sua claustrofobia sua verdade sua mentira sua dignidade sua incomensurável liberdade

a obra é cobra venenosa dobra-se nas entrelinhas se desdobra nas entrelinhas paralisa os músculos hipenotiza a razão

 

A obra é o ser e o não ser

Não sou eu não é você somos todos nós não é ninguém

 05 de setembro de 2013
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PAI
(Luiz Cláudio Jubilato)
Num belo dia de sol, minha mulher me deu um menininho de presente que carregava os traços dela e os meus também.
Não andava nem falava, mas mandava na vida dela e na minha também. Meu mundo girava em torno dele e do dela também.
Um dia disse “eu te amo”. Ela, descrente, recuperou sua fé. E eu que estava de joelhos, me fiz mais homem, me pus de pé.
Aí veio uma menininha, que sorria o tempo todo para mim.
Seu sorriso e cabelinhos encaracolados viraram parte de mim.
Cada tropeço doeu muito nela, mas doeu muito mais em mim.
Um beijinho dela faziam todas as vozes cantarem por mim.
Juntos eles são a nossa força e também a nossa fraqueza.
Juntos eles são nossas limitações e também a nossa destreza.
Nós os parimos para serem cidadãos desse mundo tão duro.
Terão nossa força, farão sua caminhada, construirão seu futuro.
Fazem xixi e cocô na nossa roupa e, mesmo assim, nós os amamos. Eles mandam na nossa casa, sujam nossa cama e, mesmo assim, os adoramos.
Pais, vivemos o orgulho de sentir nossos filhos com nossos traços, nos aconchegaremos nos seus deliciosos abraços
Levarão nas suas atitudes a educação que a nossa casa lhes dá,
Carregarão pela vida inteira o nosso DNA.
 11 de agosto de 2013
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