Criar Redação Unidades      Instagram     Facebook     YouTube     Telefones     Contato       
Você está aqui: Home > Poeta de Gaveta
MANOEL NÃO MORRE MAIS

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – Homenagem a Manoel de Barros)

Homens não fazem do barro arte?

Barros torna o homem pura poesia.
Do Barro vens, ao Barro voltará

O quanto de Barros precisamos para forjar um homem, forjar o fantástico, para brincar com o real, para reinventar a língua? Chamar uma poesia de homem?

O quanto de um homem precisamos forjar para torná-lo xifópago de poesia?

Manoel de Barros morreu? Brincadeira!

Manoel brincou com os Barros de seu nome

Como se a literatura já não fosse sinônimo de si, sua arte
Manoel corpo deixou de existir, agora ele virou corpo de poesia.

Agora virou eterno, em letras, páginas.

Letras e páginas nunca são caixões: são faróis para sublimar a vida.

Nem quando se fecha a capa do livro.
Num país tão pobre de pele, Manoel saiu pelos, fugiu da superfície em direção ao céu, em direção ao seu.
Meus pêsames, brasil. Orfandade: sentimento poderoso, vil.

 

 14 de novembro de 2014
seja o primeiro a comentar 
RIBOMBAR

(LUIZ CLÁUDIO – TODOS OS DIAS DA VIDA)

 

E trabalhei…E…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

tanto…tanto… que nem sei…

 

E trabalhei…E…trabalhei… E…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

tanto…tanto…tanto…que me desdobrei…

 

E…trabalhei…. E…trabalhei…E…trabalhei…E…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

tanto…tanto…tanto…tanto…que nunca cansei…

 

E…trabalhei…. E…trabalhei…E…trabalhei…E…trabalhei…E…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…trabalhei…

…tanto…tanto…tanto…tanto…tanto…que anoiteci…

 

erreitrabalheiacerteitrabalheideserteitrabalheivoltei

Sonheitrabalheirealizeitrabalheicompreitrabalhei

endoideci adoeci enraiveci vi revi desvivi revivi renasci

estou aqui

 

 

 28 de julho de 2014
seja o primeiro a comentar 
BOBO

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 25/07/59 – Dia do escritor)

 

Quando a escrita ainda garatuja pulava amarelinha brincava de polícia ladrão

a dona das verdades universais absolutas recitou pra molecada penugem debaixo do queixo

cara borrada irritada batom descorado perdigoto regras sobre como escrever bem

até hoje dentre todas as coisas boas más nem boas nem más não sei o que é isso também

disse que há grades chaves becos rodas gigantes corredores e chicotes grilhões carcereiros

tolo quis trancafiar Palavras entre a margem da folha do papel e o ponto final Cri nela

elas se libertaram das algemas Fizeram da minha pretensão carnaval Descri nas chibatas

a bruxa amarrotada de giz na mão esqueceu de vomitar em cima de mim Caminhos ninhos

Palavra é ser camaleônico tem mas não tem lugar muda esconde a cor Depois descarta a única visão

Pode escapar pode fazer viver e/ou matar e/ou roubar e/ou apunhalar e/ou correr

 

Palavra ora tormenta ora inventa ora se reinventa hora atormenta Tormenta

bate na mão retorce o pensamento estripa comove entorpece a emoção Solta a língua mão

língua solta língua de trapo língua de sogra língua de sapo língua Ferina Ferindo

escrita ela Palavra tem roupa letra som cara jeito de documento Será?

falada escapa pelos olhos foge pela boca como ares de vento espalha Será?

Palavra cachorro vira-latas não aceita coleira nem lei Será!

tempo período verso frase verso rima refrão

tempo põe ponto final reticências num vai pra lá sem limite

ponto é coisa ancestral ou ponto emocional ou interrogação

Antigamente riscava-se não com um dedo com a mão

apagava-se Palavra frase período com borracha não com toque de botão

 

Vírgula cria silêncio entre palavras frases períodos versos

interrogação cria o talvez, o sim, o não

parênteses encarceram pensamentos prisão

aspas dão status quo a qualquer comunicação

rima em “ão” é chute de bico entra no gol pobre mas é gol

palavra faca cega cabra cega Cega

substantivos adjetivos preposições verbos conjunções pronomes

agarram-se amarram-se devoram-se soltam-se sem cadeias nem amarras

Palavras têm olhos, pernas, fogem, abraçam, correm, comem, tramam, interagem

Palavras trazem bagagem Fiscalizadas enganam até raio “x”

 

sem um porquê rasga o indivíduo aos retalhos  planta o tal Estilo

meu corretor não corrige não sabe nada de nada bandido não quero correção

graças a deus à tela à falta de erudição Herro erro umano sou assim humano

não sei de línguas nem que Palavras bichos indomáveis derretem-nos sem precaver

por trás da máquina o homem programado programador piloto compilador

não conhece suscetibilidades subjetividades sensibilidades ataca a tecla feroz

aprendi a brincar com as Palavras errar de propósito sem propósito de qualquer jeito

Tempo presente demente inconsistente reticente digita-se na ponta dos dedos

minha identidade é minha assinatura não minha senha é carta não email

ultrapassado sou

 

Não tenho a soberba de declarar-me

escritor poetador romanceador

seja lá o que for

Palavras são escorregadias

aceitam bocas correntes não aceitam correntes

abraçam sem pudor os complacentes os coniventes

os dementes e os inocentes e os indecentes

Bobo onde for esqueceu preposição encontrou imposição

Bobo se você não entendeu palavra nem eu

 24 de julho de 2014
seja o primeiro a comentar 
UNHA

(Luiz CLÁUDIO JUBILATO – 30/06/2014)

 

Unha

Estranha palavra: arranha

Alcunha de garra.

Forma de cunha.

 

Unha

Garra encravada: entranha

deformada, mal tratada, atrofiada

O corpo fere. Na alma interfere

Dor aprisionada, esmagada, gritada

Sangue pisoteado, mimese das guerras do mundo.

Imundo.

 

A unha

Forma cortada: estranha

dor saciada, amansada, aquietada. Sim.

Nenhum sofrimento. Nenhum tormento.

Pedaços afiados, extirpados de mim.

Nenhum encantamento. Num encanamento.

Esgoto. Sem fim.

 

Unha

Garra. Arranha.

Cunha. Entranha.

Pelo encanamento, sem nenhum encantamento

Desce o fungo.

Imitação das drogas do mundo.

Imundo.

 

 30 de junho de 2014
seja o primeiro a comentar 
A PONTA APONTA

(LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 21/06/2014)

 

O meu dedo indica dor.

Dor física: imaginária? literária? libertária?

Dor tísica: pobreza? fraqueza? incerteza?

Dedo horizontal: esmaga lábio contra lábio; a mente solta.

 

O meu dedo indica a dor.

Dor doída: fetal? ancestral? animal?

Dor roída: descomunal? visceral? crucial?

Dedo vertical: tranca a boca; a mente solta.

 

Meu dedo aponta. Punhal.

Risca meu peito, rasga a minha alma

Risca o caminho, a meta, a encruzilhada: o aríete.

machuca o erro, a perspectiva, a medida: o porrete.

 

Meu dedo aponta. Espiral.

Arredonda a lógica, arrebata tudo em mim.

Arredonda a história, o descompasso: o passo

machuca a metamorfose, o compasso: o passo a passo.

 

Meu dedo indica dor.

Bate. Acusa. Acelera a calma.

Rebate. Ilude. Previne, acalma.

 

 

 

 25 de junho de 2014
seja o primeiro a comentar 
INDICADOR

((LUIZ CLÁUDIO JUBILATO – 25/06/2014)

 

 

Dedo acusador aponta

O

dono do sim? dono do não? dono de jim? dono pão?

que nem imperador com cara de rufião.

 

Dedo apontador balança

O

pêndulo do relógio? badalo do sino? rabo de cachorr?

que nem mãe com cara de não.

 

Dedo indicador  determina

A

Prevenção? saída? forca? força? solução?

que nem chicote no lombo de escravo fujão.

 

Dedo indicado, acusador, apontador

tormenta em mim,

atormenta a mim.

 

 

 25 de junho de 2014
seja o primeiro a comentar 
POEMETO SEM VERGONHA

(O BOCA DO INFERNO – 19/06/14)

Vejo a torcida gritar
antes de o Brasil jogar
o hino brasileiro tocar
o povo a capella cantar
a pátria de chuteiras se embebedar
Neymar, movido pela glória, chorar
a FIFA, à nossa custa, se refestelar
A desorganização imperar

Penso como sem produzir
o país prestes a ruir
o desgoverno prestes a cair
a economia prestes a sucumbir

Depois que a copa acabar,
a realidade voltará a incomodar
a inflação voltará a grassar
o trabalhador voltará a reivindicar

o bode expiatório o governo encontrará
o cidadão mais impostos receberá

como, sem faturar,
salários e impostos pagar?

 23 de junho de 2014
seja o primeiro a comentar 
POEMETO DESCARADO

(O BOCA DO INFERNO – 20/6/2014)

Não sei o que é pior:

A propaganda da FIFA, impregnada de estereótipos, com a qual apresenta o Brasil ao mundo: as favelas, estádios no meio da selvas, araras azuis… E a ponte estaiada? Alguém viu o Cristo Redentor por aí?

ou

A propaganda indecorosa da FIFA de oferecer 300 mil dólares às ONG brasileiras, distribuídos em dez anos, para salvar o tatu bola da extinção. E o Fuleco? Alguém viu por aí?

 22 de junho de 2014
seja o primeiro a comentar 
POEMETO TORCIDO E CONTORCIDO

(O BOCA DO INFERNO – 20/6/2014)

O Brasil venceu a Croácia, porém o juiz roubou descaradamente
O Brasil empatou com o México porque o time parecia demente

A Espanha voltará para casa desolada.
A Inglaterra provou mais uma vez que não é de nada.

A Argentina venceu o Irã, por causa de um pênalti não marcado.
A Alemanha empatou com Gana, porque, sem jogar, já tinha ganhado.

No Brasil, os melhores times jogam no domingo
Os piores só jogam na segunda.

SORTE, BRASIL.

 22 de junho de 2014
seja o primeiro a comentar 
ALDRAVAS

I

Como

como

como

 

 

vivo

como

vivo

 

 

II

Escrevo

penso

vejo

 

 

Reescrevo

repenso

revejo

 

 

III

Leia

leia

leia

 

 

Crie

imagine

ceie

 

 

IV

um

cretino

recuperado

 

 

um

Desatado

 

 

V

completamente

 

 

mudo

desesperadamente

desnudo

 

 

 

 29 de abril de 2014
seja o primeiro a comentar 
MENU
BUSCA
ARQUIVO
janeiro 2018
D S T Q Q S S
« jun    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  
Criar Redação | www.cursocriar.com
1991-2018 © Todos os direitos reservados
Desenvolvimento: Netmarco.com