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Há muito
domingo, 28 de maio de 2017

Há muito a poesia não me possui

Cansou-se

Divorciamo-nos

Há calafrio em mim

Os lábios dela eram ferrolho

A saliva, água viva

A língua, sedutora

O beijo, ácido

Corroía à meia noite,

Refugava ao meio-dia

O sangue ferve

O peito dói como cólica de parto

Os olhos duros, a voz de cão danado

Cansei de lapisar

Cansei de dedilhar

Cansei de musicar

Não sei tocar

Divorciamo-nos

Não cala o frio em mim

E pronto

Como é estranho o olhar através de um anteparo

Um helicóptero pousa no prédio

Barulho de milhões de mariposas

Nada de poesia

Concreto

Só concreto

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