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Ato na São Francisco pedirá criação da ‘Comissão da Verdade da USP’
quarta-feira, 23 de maio de 2012

Alunos e professores querem investigação de violações de direitos humanos ocorridos na ditadura

22 de maio de 2012 | 16h 22

Professores e estudantes da USP propõem a criação de uma “Comissão da Verdade” para investigar possíveis violações de direitos humanos cometidas pela universidade durante a ditadura militar (1964-1985). O objetivo também é exigir a reforma do regimento da instituição, de 1972, que prevê a expulsão de alunos pelo envolvimento em manifestações político-partidárias e ofensa à “moral” e aos “bons costumes”.

A ideia foi lançada no mês passado pelo Fórum Aberto pela Democratização da USP. O grupo nasceu no rastro de sucessivos protestos contra o reitor João Grandino Rodas, visto como “autoritário” por setores da universidade.

A proposta será divulgada na manhã desta quinta-feira, 24, em um ato no Pátio das Arcadas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Os organizadores farão circular um abaixo-assinado para requerer a criação da comissão. O documento será enviado ao Conselho Universitário. “Queremos que a comissão seja instalada oficialmente, por decisão do conselho”, diz o aluno de Direito Gabriel Fazzio, do coletivo estudantil Fórum de Esquerda.

Já confirmaram presença no evento os professores Fábio Konder Comparato, Allaor Caffé Alves, Deisy Ventura, Jorge Luis Souto Maior, Sérgio Salomão Shecaira e Gilberto Bercovici. Também está prevista a participação de José Damião de Lima Trindade, aluno da turma de 1968 da São Francisco e ex-procurador de Justiça do Estado de São Paulo.

Segundo Gabriel, é preciso “descobrir a verdade” por trás de histórias como a da professora do Instituto de Química Ana Rosa Kucinski Silva, desaparecida em 1974 e demitida um ano depois por “abandono do cargo”, segundo decisão da Congregação do IQ – instância máxima da unidade. “A USP tem uma história de colaboração com o regime militar e ainda hoje tem uma estrutura autoritária num período democrático, com um regimento que prevê a censura e o silêncio dentro da universidade.”

A reportagem entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da USP, mas ainda não obteve retorno. Carlos Lordelo – Estadão.edu

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