1. Como foi o se
u ano de 2010 em relação aos estudos? Muitas angústias, incertezas ou você tinha plena convicção de que passaria no vestibular?
Nossa, 2010 foi um ano muito complicado! Foi um ano difícil: repleto de angústias, incertezas, medos, aflições… Enfim, ano de vestibular é um ano em que você se depara com uma face sua que até então você desconhecia. Eu nunca tinha lidado com uma situação de tamanha pressão e cobrança.
2. Você era daquelas alunas que abdicava de tudo para estudar ou tentava conciliar as “baladas” com a vida estudantil? Conte-nos como foi isso.
Nunca consegui abdicar totalmente da minha vida social, mas tive que dosar bastante para conseguir levar o cursinho e as “saídas”. Lógico que isso não foi nada fácil. Farrear é muito melhor do que estudar. Hahaha. Mas eu “guardava” alguns finais de semana para estudar e, principalmente, nada de festa antes de provas, né!?
3. Em que vestibulares você passou? Diz a lenda que, quando você saiu da prova da FUVEST, disse: “Essa prova tem a minha cara. Passei”. Isso é verdade?
Eu só passei na Fuvest mesmo… E essa lenda não é totalmente verdade… O que aconteceu foi que, apesar de eu ter achado as duas fases da prova da Fuvest difíceis, eu acabei me saindo bem em ambas. No fim das contas, acho que a prova foi feita para mim, pois caíram questões que eu dominava bem o conteúdo e temas de que eu não tinha tanto conhecimento foram preteridos. (Acho que isso se deve em parte por eu ter resolvido muitas provas da Fuvest no cursinho e já saber, mais ou menos, o que esperar no dia).
4. Como foi o período que antecedeu as provas, o que você fez para domar os nervos?
O período antes das provas era muuuito tenso. Eu surtava completamente! Quem estava na minha sala presenciou vários momentos de choro e descontrole total. Tentei dosar isso com sessões de acupuntura e terapia semanais, além da yoga que comecei depois que, você (Luiz Cláudio), me recomendou! Todas essas atividades me ajudaram muito e me deram mais tranquilidade na hora da prova.
5. Medicina era um sonho, uma obsessão ou um passo a mais na vida?
Um sonho! Algo que eu almejava e tinha como objetivo desde o segundo colegial…
6. Como foi não passar no meio do ano na UFTM e depois juntar forças para encarar vestibulares muito mais difíceis no final do ano?
Para mim, foi o momento mais difícil do ano. Reprovar no vestibular que eu mais queria e ver que o sonho estava, mais uma vez, distante, me fez repensar a opção que fiz (cursar Medicina) e todo meu esforço. Para mim, não dava mais. Então conversei com profissionais (psicólogo e professores) e com o apoio da minha família e dos meus amigos, consegui enxergar com mais clareza que o meu objetivo exigia mais esforço e que, apesar da reprovação, eu estava no caminho certo.
7. Houve algum momento frustrante que marcou sua vida de vestibulanda? Por quê?
Sim, além de alguns episódios de reprovação que são sempre frustrantes (como esse caso da UFTM e da Unicamp 2010), notas baixas em simulados e redações sempre eram frustrantes para mim. A meu ver, o meu esforço não condizia com meus resultados e era difícil lidar com isso.
8. Você se arrependeu de não ter feito alguma coisa nesse período em que se preparava para o vestibular?
A única coisa da qual me arrependo foi ter sido tão teimosa, por tanto tempo. Eu não dava ouvido a críticas, nem boas, nem ruins, reclamava muito e, hoje, acredito que isso “atrasou” um pouco meu progresso no cursinho. A partir do momento que aprendi a ouvir e seguir conselhos de gente que conhecia o vestibular melhor do que eu, cresci muito.
9. Como foram as suas “brigas” com a redação ao longo do ano de 2010?
Foram intensas e incansáveis! Eu era meio preguiçosa com a redação e reclamava das minhas notas. Ao mesmo tempo, não fazia nada para mudá-las. Eu repetia fórmulas fracassadas na esperança de uma nota melhor da próxima vez. Quando resolvi sair do meu “lugar seguro”, me deparei com vários problemas a serem corrigidos e consegui ver minha nota melhorar gradativamente.
10. Qual é a sua filosofia de vida, se é que existe alguma?
Eu acho que a gente tem que viver intensamente cada minuto. Eu vivo assim.
11. E agora, dentro da Pinheiros, como tem sido esse início de curso? Desencantos, frustrações ou só alegrias?
Tem sido um misto de sensações! Primeiro, o encantamento com uma faculdade e um complexo de hospitais (HC) enorme e super valorizado no país e na América Latina. Depois, a frustração de ter professores sem didática nenhuma, de ver várias falhas na graduação e de me deparar com inúmeros outros problemas de uma faculdade do tamanho da FMUSP. No geral, estou me acostumando à vida de universitária e me adaptando a seus pontos positivos e negativos.
12. Você se surpreendeu com algumas matérias dentro do curso, porque envolvem a parte de humanas, que um aluno de biológicas não espera. Como foi isso?
Surpreendi-me muito! A área de humanas é bem valorizada aqui na Faculdade de Medicina da USP. Temos matérias abrangendo filosofia, sociologia, História da Medicina e muitas outras áreas. Não esperava encontrar isso na Medicina, mesmo sabendo que é uma tendência “humanizar” todos os cursos…
13. As “baladas” dentro da faculdade são bem melhores que as do cursinho? Quem não entrou na faculdade ainda está perdendo tempo até em relação a isso?
São muuuuito melhores. Se você é baladeiro, a faculdade é o seu lugar!!! Hahaha. Vale a pena abdicar de algumas baladas no seu ano de cursinho, para aproveitar as festas universitárias, que são animais!!!
14. Como é a vida em São Paulo sem a família? Todo jovem quer ser independente e morar fora, tem sido uma experiência inesquecível?
A vida de quem sai de casa e vai se virar sozinha, não é só um “mar de rosas”, não. Morro de saudades não só da família, mas também dos amigos, de Ribeirão e da qualidade de vida que a cidade do interior proporciona. Aqui, em São Paulo, a vida é uma loucura. Eu tenho que fazer tudo sozinha e isso não é nada fácil! Mas a vida longe dos pais tem suas vantagens. Está sendo um ano maravilhoso. Aprendi muita coisa e estou adorando esse negócio de “independência” (ainda que em alguns aspectos eu ainda dependa dos meus pais…). hahaha
15. Dizem que o aluno estuda bem mais na faculdade do que no cursinho. Isso é verdade? O que muda na sua forma de estudar?
É verdade!!! Estudo muito mais agora do que no cursinho. Virei um pouco autodidata, varo madrugadas estudando para provas, estudo em grupo, troco resumos e vivo cheia de Xerox na bolsa. O ritmo de estudo mudou bastante porque o curso integral é super cansativo e eu ainda tenho que estudar quando chego em casa e nos finais de semana. A faculdade ainda toma muito tempo com atividades extracurriculares, que tornam ainda mais escasso meu tempo livre.
16. Muitos alunos chegam no primeiro semestre do curso e relaxam demais. Aí, os resultados são péssimos. Por que você acha que isso ocorre? Como fazer para driblar esses resultados e conseguir se superar?
Acho que o aluno que acabou de entrar na faculdade está de saco cheio (desculpa a expressão) de estudar. Provavelmente, ralou muito no último ano e quer mais é badalar e esquecer a graduação. Infelizmente, a vida continua, o ritmo muda e você não tem um tempo para se adaptar. A superação dessa fase é gradual. Você vai se dando conta de que “nem tudo é festa”, a graduação é super puxada, as notas baixas vão causando um desespero e você começa a ir atrás do prejuízo.
17. Como vai a vida cultural de uma pessoa que agora só tem de ficar decorando nomes de músculos, nervos, ossos etc?
Vixi… Contrariando minha expectativa, a vida cultural de um aluno de medicina (que fica o dia todo na faculdade e nos horários “livres” também está envolvido com mil e outras atividades) vai mal! Além da tradicional desculpa da falta de tempo, o que acontece é que hoje eu tenho menos acesso, por exemplo, a jornais e revistas (no cursinho eles estavam sempre à mão!). O que recebo de informação vem de jornais televisivos que assisto nos poucos horários em que paro em casa e alguns livros que tenho lido quando arranjo um tempinho na semana.
18. Quais os pontos e os personagens que você destacaria no seu período de preparação para o vestibular? Por quê?
São muitos personagens que fizeram parte da minha história de vestibulanda. Os mais importantes, com certeza, foram meus pais, que sempre me apoiaram e acreditaram em mim, meus amigos, que enfrentaram comigo todas as dificuldades e foram muito compreensivos, você, Luiz Cláudio, que me agüentou e me ajudou muito em toda minha trajetória: dando broncas e conselhos (sempre para o bem), o Marcelo Filipecki, psicólogo e ombro amigo para qualquer hora, e a turma de redação de quinta as 14h, melhor momento da semana: conhecimento, risadas, amigos e redação!!! Hehehe
Os pontos principais desse período são sempre os momentos de avaliação pessoal: você olhar criticamente para suas falhas, a fim de corrigi-las, é sempre ótimo para o crescimento pessoal. Aprendi muito sobre mim nesses 2 anos de cursinho.
19. Quais os livros que você recomendaria para um vestibulando que quer fazer a diferença na hora da prova?
Recomendaria o “1984”, do George Orwell, “Amor Líquido”, do Bauman, “A era dos extremos”, do Eric Hobbsbawn, “Ensaio sobre a cegueira”, do José Saramago, “Sagarana”, do Guimarães Rosa, “Antologia Poética”, do Vinícius de Moraes e o “O Mundo de Sofia”, de J. Gaarder.
20. Quais os filmes que você recomendaria?
Acho que eu recomendaria “Gatacca”, “Garota Interrompida”, “A origem”, “Avatar”, “Os Sonhadores”…
21. Faça suas considerações finais.
Gostaria de agradecer o espaço cedido e a entrevista. Foi muito divertido responder e relembrar meu 2010 tão conturbado. Também queria dizer, para aqueles que ainda estão no cursinho pleiteando uma vaga em uma boa universidade, que não desistam de tentar!!! Com esforço, dedicação e equilíbrio todos vão alcançar seus sonhos e, no final, vai valer a pena!!!!
ps: eu gostaria de dizer para o pessoal prestar Pinheiros!!! Estou esperando meus calouros/calouras 2012!!! Turma 100!!!! hehehe