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Idiomaterno
sábado, 10 de junho de 2017

Dia 10 de junho, dia da língua portuguesa, dia de Camões

O mundo lusófono, comunidade dos países falantes de Língua Portuguesa, comemora, em 10 de junho, o dia de Camões, de Portugal e da Língua Portuguesa. Disse Fernando Pessoa, na pele de seu heterônimo Bernardo Soares, no Livro do Desassossego: “Minha Pátria é a Língua Portuguesa”. Parafraseando-o, Cristiano Costa lapidou a seguinte afirmação: “Minha pátria é a minha língua”. Olavo Bilac resgatou-a historicamente, ao chamá-la de a “Última flor do Lácio, inculta e bela”.

Luís Vaz de Camões, poeta dos poetas, ao escrever “Os Lusíadas”, reuniu as mil nuances das relações com as línguas que a constituíram. Juntas geraram o idioma falado naquele pequeno país nascido entre os rios Minho e Tejo, na ponta da espada de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal.

Da “Cantiga da Ribeirinha”, de Paio Soares de Taveirós (1189? ou 1198?), a “Os Lusíadas”, de Camões (1580), nosso idiomaterno se estruturou, deglutiu outras culturas, encorpou e se jogou ao mar para cair nos braços de terras distantes que a enriqueceram ainda mais.

Portugal nos legou a língua através da qual entendemos o mundo e o transformamos segundo nossas visões, concepções, conexões, observações, compreensões. Índios, negros, imigrantes a metamorfosearam. Ela incorporou novos falares, novos cantares, novos pensares, a ponto de seu ventre conceber inúmeros idiomas, dentre eles o nosso Português Nacional.

“Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade”, afirmou José Oswald de Andrade, no seu Manifesto Antropofágico. Jamais teríamos descoberto o tamanho dessa felicidade, se esse idioma, trazido de além-mar, não esticasse o seu tecido vocabular e gramatical sobre a praia “muito chã”, de “árvores de copas mui frondosas”, contaminando a todos os habitantes que ingeriram suas regras e expressões para fazê-las traduzir na fala e na escrita sensações, emoções, traduções etc.

“A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos”. Assim o é. O idioma não escolhe cara, nem lugar. Ricos e pobres. Cultos e incultos. Negros e brancos. Nativos e imigrantes. Cada brasileiro o recorta através dos seus usos e costumes

Acabe com o seu preconceito. A Língua Portuguesa não é difícil, é fácil. Você convive com ela. Usa e abusa dela. Lambuza-se com ela. Expõe-se e compõem-se e recompõem-se com dela. Há mais exceções que regras? E daí se você não sabe se exceção é com Ç ou com dois SS, se não entende por que OBCECADO se escreve com C e OBSESSÃO com S, depois dois SS. A beleza está justamente na complexidade.

Se não fosse essa tal complexidade, não teríamos tantas belezas extraídas das penas e/ou das bocas de pessoas tão díspares. Qual língua legaria ao mundo um Fernando transmutando-se em tantas Pessoa(s) nas terras de lá e um Carlos Drummond de Andrade, com seus mineirismos e universalismos, nas terras de cá. Um José Saramago, comunista lá, e um Guimarães Rosa, diplomata cá, mestres na arte de criar e recriar vocábulos. Do ventre dessa mãe tão rico brotam tantas palavras, tantas expressões: regionalismos, eruditismos, galicismos, neologismos… Brotam o funk, o hip-hop, a MPB, o sertanejo, para traduzir o que pensamos, o que queremos, o que somos.

Por Luiz Cláudio Jubilato. Educador e diretor do Criar Redação. Professor e especialista em Língua Portuguesa e especialista em vestibulares. criarvest@uol.com.br

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