A dinâmica da existência está na mudança. É a única certeza que temos, como diria O Boca do Inferno, Gregório de Matos Guerra, “a firmeza somente na inconstância”.
Há uma grande arrogância nos mais velhos quando dizem: “no meu tempo era bem melhor”. O passado só se transforma como refém das necessidades, quando precisamos provar que, em algum momento, fomos felizes e ainda que, se as coisas estão onde estão, não é por nossa culpa, afinal estávamos no paraíso, agora manchado por aqueles que vieram comer a maçã.
São os jovens que mudam o mundo, está neles todo o potencial de transformação, afinal todo mundo é incendiário aos 20 anos, mas se torna bombeiro aos 40. Da revolução à conservação e depois à reação. O novo, como já foi dito milhares de vez, assusta. Quantas vezes você disse que não usaria tal roupa ou jamais ouviria tal tipo de música, mas depois cedeu?
Estamos diante da juventude mais bem preparada da história, com maior conhecimento em relação às diversas visões sobre o passado e a todo tipo de informação sobre o presente. Apesar de ainda muito restrita para os mais pobres, a educação está mais acessível para a maior parte da população. E a educação canaliza esse potencial transformador, se não for alienante, como tem se mostrado em vários países.
Mas os jovens de hoje não são alienados, consumistas e despreparados? Sobre todas as gerações essas acusações pesaram e mostraram-se sem fundamento. Isso é uma forma de os mais velhos defenderem o mundo construído por eles que eles não têm a mínima vontade de ver transformado.
