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Especialista garante que redação modelo é ameaça para vestibulando
sexta-feira, 19 de maio de 2017

 

O professor de Língua Portuguesa, Luiz Cláudio Jubilato, do Criar Redação, avalia episódio que envolve cópia modelos de redação por candidatos ao Enem 2016. Para ele, a técnica inibe o desempenho do candidato e gera um tipo de conteúdo sem raciocínio lógico, desqualificando o ensino brasileiro e a performance dos estudantes

O Inep, órgão do Mec (Ministério da Educação) responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio, descobriu recentemente  que uma redação nota mil no Enem 2016 trazia trechos copiados de outras duas redações. O assunto gerou grande debate entre educadores, estudantes e ecoou através das redes sociais. A posição oficial do Inep foi dada pela professora Maria Inês Fini, presidente do instituto, que lamentou o episódio e julgou a atitude “como um desrespeito aos jovens e adultos ainda em formação”. Na visão de especialistas em vestibulares, o fato vem confirmar as famosas fórmulas prontas de redações que muitas escolas e cursinhos utilizam como álibi.

Para o professor Luiz Cláudio Jubilato, do Criar Redação – sistema de ensino de língua portuguesa –  com unidades e franquias nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, com mais de 25 anos de atuação no ensino de Língua Portuguesa e Redação, a prática é um engodo e uma ameaça à formação dos alunos – que na ótica dele – “são futuros profissionais em busca do mais fácil. O vestibular mais fácil, cópia, ao invés do exercício do raciocínio, o que é mais fácil. O problema é  a consequente vida profissional nada fácil”, afirma.

O educador alerta que hoje, no cenário brasileiro, muitas escolas de ensino médio já optam a coibir a prática do modelo de redação. Ele ressalta que este tipo de redação já ficou conhecida como Fransktein. O “método” não exige nenhum esforço profissional dos professores que o praticam, porque dizem que o objetivo é facilitar a vida dos candidatos aos vestibulares, no entanto ela acaba engessando os estudantes e nivela por baixo os candidatos, que confundem “decoreba” com “repertório cultural” e “citação” com argumentação..

Jubilato relata que assim que alguns textos plagiados caíram nas redes sociais, alunos prejudicados por essa prática identificaram a fraude.  “O que percebemos é que muitos vestibulandos, nem sabem o risco que correm ao se entregarem a esse tipo de prática, no entanto os que acompanharam as reportagens começaram a ter medo das consequências, pois o Inep prometeu que haverá punições para quem fizer uso de cópia de redação, acrescenta. O órgão, que considerou a atitude do estudante como plágio, ainda não se posicionou sobre quais medidas pretende que pretende tomar.

 Para o professor, o uso da redação modelo como proposta de formação de vestibulandos é um retrato da baixa qualidade do ensino, da baixa formação dos estudantes e enfatiza o subdesenvolvimento do Brasil, que de acordo com o especialista, começa nas questões que envolvem raciocínio e ética. “Numa competição acirrada, como é a do vestibular, fica mais fácil dar um “jeitinho” do que se preparar”, lamenta.

 

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