{"id":9,"date":"2013-09-02T09:55:55","date_gmt":"2013-09-02T12:55:55","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=9"},"modified":"2013-09-02T09:55:55","modified_gmt":"2013-09-02T12:55:55","slug":"o-brasil-quer-mesmo-crescer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2013\/09\/02\/o-brasil-quer-mesmo-crescer\/","title":{"rendered":"O Brasil quer mesmo crescer?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Autor: Carlos R. Schneider<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A resposta a essa pergunta parece \u00f3bvia e leva a outra indaga\u00e7\u00e3o: por que n\u00e3o conseguimos crescer de forma consistente, mesmo com todas as riquezas que a natureza nos deu? A resposta \u00e9 simples: mesmo que tenhamos condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, para colher \u00e9 preciso plantar. E o Brasil tem plantado muito pouco para querer colher crescimento acelerado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o tem havido vontade pol\u00edtica suficiente para fazermos os ajustes estruturais que permitam reduzir o Custo Brasil e restabelecer a competitividade da economia deste pa\u00eds, para al\u00e9m das commodities, em setores que alavancam a produtividade &#8211; fator fundamental para dinamizar de forma saud\u00e1vel as rela\u00e7\u00f5es de troca e a capacidade produtiva brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando a economia vai bem, nos esquecemos das reformas necess\u00e1rias. Quando vai mal, alegamos necessidade de resolver os problemas de curto prazo e n\u00e3o as quest\u00f5es mais profundas que s\u00f3 mostrar\u00e3o resultados mais \u00e0 frente. Isso possivelmente nos remete a uma tese inaceit\u00e1vel sob qualquer ponto de vista: de que as coisas precisam piorar muito antes de melhorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fundamental para o encaminhamento de uma solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o avan\u00e7o de uma postura de estadista, menor preocupa\u00e7\u00e3o com as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es e maior com as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, assim como maior demonstra\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito p\u00fablico por parte dos governantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A reforma pol\u00edtica, o ajuste fiscal, o aumento da efici\u00eancia da gest\u00e3o p\u00fablica, a moderniza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e das leis que regem a administra\u00e7\u00e3o do Estado s\u00e3o desafios complexos, mas que necessariamente devem ser enfrentados, n\u00e3o apenas para caminharmos em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade desenvolvida, mas tamb\u00e9m para acompanharmos a evolu\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses emergentes que v\u00eam se destacando se comparados a n\u00f3s. Para isso, \u00e9 fundamental que saibamos nos articular e pressionar os governantes por esses ajustes. At\u00e9 porque s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es da sociedade que movem a classe pol\u00edtica, desde que sejam suficientemente representativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O trip\u00e9 que tem sustentado o crescimento recente do pa\u00eds est\u00e1 esgotando o seu poder de fogo. Os pre\u00e7os das commodities pararam de subir e at\u00e9 est\u00e3o caindo; a possibilidade de absor\u00e7\u00e3o de novos contingentes de m\u00e3o de obra est\u00e1 esbarrando na baixa qualifica\u00e7\u00e3o de um percentual j\u00e1 reduzido da popula\u00e7\u00e3o ainda desempregada; e a viabilidade de continuarmos alavancando crescimento com consumo fica mais dif\u00edcil na medida em que o n\u00edvel de endividamento das fam\u00edlias vem se aproximando muito de um limite prudencial. O consumo das fam\u00edlias brasileiras j\u00e1 representa mais de 60% do PIB e as suas d\u00edvidas mais que dobraram nos \u00faltimos cinco anos, comprometendo acima de 40% da renda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo os economistas Fabio Giambiagi e Armando Castelar, entre 2005 e 2011 as vendas do com\u00e9rcio cresceram a uma taxa de 8,1% ao ano, enquanto a produ\u00e7\u00e3o industrial n\u00e3o avan\u00e7ou mais de 2,4% em m\u00e9dia. A falta de competitividade da empresa nacional permitiu o avan\u00e7o dos importados. No caso de servi\u00e7os, que n\u00e3o podem ser importados, o aumento do consumo pressiona a infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que estamos vendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O consumo s\u00f3 ser\u00e1 importante para estimular crescimento econ\u00f4mico no longo prazo se o n\u00edvel de investimento na economia estiver adequado. E \u00e9 nesse ponto, principalmente, que estamos falhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Alberto Ramos, ex-economista do FMI, afirma que as economias latino-americanas precisam fazer reformas para alavancar a capacidade de investimento se quiserem aproximar a taxa de crescimento \u00e0 dos emergentes asi\u00e1ticos. Essa recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais importante para o Brasil, que vem ficando bem atr\u00e1s de vizinhos como Peru, Chile, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico &#8211; em n\u00edveis de investimento e de crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2012, a carga tribut\u00e1ria no pa\u00eds bateu novo recorde: 36,7% do PIB, apesar das desonera\u00e7\u00f5es concedidas para reativar a produ\u00e7\u00e3o. Segundo o IBPT, a carga de impostos no Brasil cresceu mais do que em qualquer outro pa\u00eds do mundo, afetando negativamente a efici\u00eancia geral da economia. Destaca ainda que somente uma reforma tribut\u00e1ria que contemple redu\u00e7\u00e3o e simplifica\u00e7\u00e3o dos impostos, com uma gest\u00e3o fiscal mais eficiente, pode promover a competitividade da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo o Banco Mundial, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais trabalho requer para o pagamento de tributos: 2.600 horas por ano, mais que o dobro do segundo colocado que \u00e9 a Bol\u00edvia, com 1080 horas. Contra, por exemplo, a Su\u00ed\u00e7a, com 63 horas, e os Emirados \u00c1rabes, com 12 horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Everardo Maciel, ex-secret\u00e1rio da Receita Federal, afirma que temos um prec\u00e1rio, e possivelmente, mais complexo modelo de tributa\u00e7\u00e3o do consumo do mundo. E as recentes tentativas de simplificar a legisla\u00e7\u00e3o do ICMS permitem concluir que a guerra fiscal continuar\u00e1, por falta de san\u00e7\u00f5es legais. A tributa\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 mais complexa e possivelmente ainda restar\u00e1 ao contribuinte pagar uma conta superior a R$ 400 bilh\u00f5es a serem destinados aos fundos compensat\u00f3rios previstos na proposta, nos pr\u00f3ximos 20 anos. Dizem que nada \u00e9 t\u00e3o ruim que n\u00e3o possa piorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Certamente a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que foi pr\u00f3diga em estabelecer direitos para diferentes parcelas da sociedade, provocou parte do avan\u00e7o da carga tribut\u00e1ria da casa dos 25% do PIB para os n\u00edveis atuais. E, certamente, outra importante explica\u00e7\u00e3o \u00e9 o crescimento da gordura em uma m\u00e1quina p\u00fablica que cada vez mais confunde o seu papel de prestar servi\u00e7os \u00e0 sociedade com uma realidade em que se transforma num fim em si mesmo: deixa de servir o p\u00fablico para dele servir-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A frustra\u00e7\u00e3o com a falta de reflexos positivos na taxa de crescimento da economia com as redu\u00e7\u00f5es na taxa de juros, ocorridas em 2012, refor\u00e7a ainda mais a convic\u00e7\u00e3o de que expans\u00e3o depende de ajustes que aumentem a efici\u00eancia do Estado e da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se as lideran\u00e7as da sociedade civil organizada n\u00e3o se articularem para que, junto com as lideran\u00e7as pol\u00edticas, se crie um ambiente prop\u00edcio a mudan\u00e7as mais profundas, logo a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, gerada por um fr\u00e1gil pleno emprego, se transformar\u00e1 em uma profunda frustra\u00e7\u00e3o. Desnecessariamente.<br \/>\n<em><strong>Artigo publicado no Jornal Valor Econ\u00f4mico<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Carlos R. Schneider A resposta a essa pergunta parece \u00f3bvia e leva a outra indaga\u00e7\u00e3o: por que n\u00e3o conseguimos crescer de forma consistente, mesmo com todas as riquezas que a natureza nos deu? A resposta \u00e9 simples: mesmo que tenhamos condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, para colher \u00e9 preciso plantar. E o Brasil tem plantado muito pouco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[4,5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9"}],"collection":[{"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}