{"id":82,"date":"2014-02-27T10:26:14","date_gmt":"2014-02-27T13:26:14","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=82"},"modified":"2014-02-27T10:26:14","modified_gmt":"2014-02-27T13:26:14","slug":"aculturacao-dos-idiotas-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2014\/02\/27\/aculturacao-dos-idiotas-2\/","title":{"rendered":"Acultura\u00e7\u00e3o dos Idiotas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\n\t<em><strong>Por Prof. Luiz Cl&aacute;udio Jubilato &nbsp;&ndash; diretor do Criar L&iacute;ngua Portuguesa e Reda&ccedil;&atilde;o &#8211;&nbsp;<span>29\/1\/2014<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>\t<span>Essa &eacute; mais velha que o rascunho da b&iacute;blia, mesmo assim vou contar, pois &eacute; muito caracter&iacute;stica da nossa burrice cultural: Uma baleia encalha na praia perto de um povoado. Oportunidade de um banquete &eacute; sem igual, contudo todo mundo ficou com medo de comer. E se aparece aquele povo maluco que briga at&eacute; com navio e arp&atilde;o, o tal do &quot;gree<\/span><span class=\"text_exposed_show\">nde pe&ccedil;e&quot;. Se esse povo topa at&eacute; ficar atr&aacute;s das grades naquele tal lugar de chup-chup que aqui ningu&eacute;m nem tinha visto o nome e nem sabe onde fica. Imagine o que iam fazer na quentura desse lugarzinho esquecido de deus. Os pescadores, ent&atilde;o, tentaram empurr&aacute;-la de volta para o mar. O bicho, pesado que s&oacute; a peste, precisava de muito mais gente do que tinha no povoado. N&atilde;o tinha como empurrar o bicho de volta pro mar.<\/p>\n<p>\tResolveram os homens que as mulheres e crian&ccedil;as, que n&atilde;o prestavam pra nada, iam se revezar jogando &aacute;gua em cima do bicho para ele n&atilde;o secar. Nada dava jeito. Ningu&eacute;m sabia mais o que fazer. Baixou o desespero. Todo mundo co&ccedil;ava o cabelo, os que tinham barba e bicho de p&eacute; tamb&eacute;m, at&eacute; que apareceu um sujeito de fora, vesgo, gago, manco com uma ideia salvadora: &quot;Oc&ecirc;is s&atilde;o muito besta. J&aacute; num feiz tudo? Nadica de nada adiant&ocirc;. o bicho num morreu? Esse cheru ruim vai empesti&aacute; o povoado, a&iacute; oc&ecirc;is vai v&ecirc; cum quantos pau se faiz uma canoa. N&atilde;o tem mais o que faz&ecirc;. Com&ecirc; n&atilde;o d&aacute;, o bicho apodreceu. J&aacute; qui num d&aacute; pra cum&ecirc;, nem pra impurr&aacute;, s&oacute; tem um jeito, vamo explodi a baleia&quot;. Um olhou pro outro, o outro olhou pro um. Um balan&ccedil;ou a cabe&ccedil;a como se fosse um sim, os outros &quot;acompanh&ocirc;&quot;.<\/p>\n<p>\tComo todo mundo concordou. Todo povo gritou: &quot;Ideia salvadora, o &ocirc;mi aqui &eacute; o salvador&quot;. Enfiaram dinamite por todos os lados. At&eacute; nos olhos. Acenderam os pavios ao mesmo tempo, o bicho podre explodiu. S&oacute; que os peda&ccedil;os ca&iacute;ram todos sobre o povoado. O fedor come&ccedil;ou pequeno na noite. Com o sol, engrossou. Ningu&eacute;m mais aguentou. Todo mundo queria ir embora e agora xingava o outrora salvador.<\/p>\n<p>\tNossa &quot;cultura&quot; &eacute; uma baleia encalhada. O povo, vaca de pres&eacute;pio, espera algu&eacute;m pra salvador. O povoado, a nossa sociedade, espera uma ideia, de prefer&ecirc;ncia de fora, mesmo com suas distor&ccedil;&otilde;es, que possa acabar&aacute; com nossa falta de imagina&ccedil;&atilde;o. Um idiota, metido a besta, vem de fora, prop&otilde;e uma novidade besta e todos correm atr&aacute;s. &Eacute; idolatrado, o mais novo &iacute;dolo, o pensador. O fedor, o deserto cultural em que estamos mergulhados. A podrid&atilde;o vem do mar onde est&atilde;o as baleias, nossa vida de criatividade que encalha na praia. Uns tentam salv&aacute;-la, outros simplesmente lavam as m&atilde;os. O mar, t&atilde;o polu&iacute;do, deixa as baleias t&atilde;o perdidas, que nem sua superf&iacute;cie as salvou. Que o digam Justin Bieber e tantos outros babacas que vieram ganhar dinheiro aqui nessas plagas. &Eacute; muito f&aacute;cil aculturar os imbecis.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Luiz Cl&aacute;udio Jubilato &nbsp;&ndash; diretor do Criar L&iacute;ngua Portuguesa e Reda&ccedil;&atilde;o &#8211;&nbsp;29\/1\/2014 Essa &eacute; mais velha que o rascunho da b&iacute;blia, mesmo assim vou contar, pois &eacute; muito caracter&iacute;stica da nossa burrice cultural: Uma baleia encalha na praia perto de um povoado. 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