{"id":78,"date":"2014-02-19T18:34:03","date_gmt":"2014-02-19T21:34:03","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=78"},"modified":"2014-02-19T18:34:03","modified_gmt":"2014-02-19T21:34:03","slug":"segredos-confessaveis","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2014\/02\/19\/segredos-confessaveis\/","title":{"rendered":"Segredos Confess\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>\n\t<em><strong>Por Prof. Luiz Cl&aacute;udio Jubilato &nbsp;&ndash; diretor do Criar L&iacute;ngua Portuguesa e Reda&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<a href=\"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/files\/2014\/02\/1920462_10201595244267811_480331111_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-79\" height=\"150\" src=\"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/files\/2014\/02\/1920462_10201595244267811_480331111_n-150x150.jpg\" width=\"150\" \/><\/a>Quando eu tinha 18 anos, os professores n&atilde;o brincavam e todo dia falavam como se fosse um mantra: &quot;Voc&ecirc;s est&atilde;o no ano do vestibular. Quem n&atilde;o estudar, n&atilde;o vai passar. &quot;Era um p&eacute; no saco&quot; &#8211; todo dia, mesma coisa.Transformaram esse &quot;tro&ccedil;o&quot; num monstro com muitas cabe&ccedil;as. Muitos amigos &quot;piravam&quot;, viraram ursos: brancos, peludos e gordos. Esqueceram de viver.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tOs diretores diziam que t&iacute;nhamos de escolher a profiss&atilde;o que exercer&iacute;amos para o resto da vida. Pensei: &quot;O resto da vida &eacute; muito tempo. Nem sei quanto tempo vou viver&quot;.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tAlguns amigos nasceram com o estetosc&oacute;pio no pesco&ccedil;o: &quot;Vou fazer Medina, penso nisso desde crian&ccedil;a&quot;. Um tentou tr&ecirc;s vezes entrar na UFJF. Decorou a apostila e se tornou de tanto estudar. Tempos depois, aprendeu a explicar de tal forma que se tornou um dos melhores professores de biologia que conhe&ccedil;o.<br \/>\n\tEu era um sujeito confuso. At&eacute; uma certa parte do ano pensava em ser diretor de teatro, depois escritor. Depois de um conto publicado num jornal, tive certeza: &quot;Serei escritor&quot;. Em seguida, imaginava-me um jornalista, talvez influenciado pelo melhor amigo, mas sempre tive uma imensa dificuldade de obedecer ordens. Nunca daria certo, me avisaram.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tLi muito. Os garotos da rua jogavam bola. O meu pai e o meu irm&atilde;o achavam que eu era doido ou gay. Para tristeza deles, virei objeto de goza&ccedil;&atilde;o.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tNa fila de inscri&ccedil;&atilde;o, conversei com v&aacute;rias pessoas. Uma delas me disse: &quot;O seu neg&oacute;cio n&atilde;o &eacute; aprender portugu&ecirc;s a fundo? Ent&atilde;o, porque n&atilde;o faz letras? Dei-lhe raz&atilde;o, ent&atilde;o mais uma vez troquei para desespero da fam&iacute;lia que queria um filho &quot;dot&ocirc;&quot;.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tFui para o curso de letras. No primeiro dia de aula, deu vontade de fugir: &quot;O que diabos eu estava fazendo ali? Dar aulas? Jamais&#8230;&quot; Como sou teimoso, resolvi insistir. Comecei a gostar, mas vivia grudado na &quot;galera&quot; do jornalismo.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tCom 18 anos, em 1978, as escolhas eram marcadas pelo desejo das fam&iacute;lias do status que o filho e, consequentemente elas, alcan&ccedil;ariam. O neg&oacute;cio era ser m&eacute;dico, advogado ou engenheiro. O resto era &quot;curso espera marido&quot;. Nunca tive o anseio de ter um marido. Comecei a trabalhar.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tHoje o leque diversificou tanto que as mais novas profiss&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o sequer conhecidas. &Eacute; um &quot;crime&quot; pedir a um jovem para escolher o que far&aacute; pelo &quot;resto da vida&quot;. Falta-lhe maturidade. Conhe&ccedil;o uma imensid&atilde;o que &quot;chutou o pau da barraca&quot; e foi fazer outra coisa. As profiss&otilde;es mais rent&aacute;veis que dar&atilde;o mais &quot;status&quot; ainda n&atilde;o foram inventadas.&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tPergunte a uma pessoa de 40 anos ou mais se ela, algum dia, pensou que carregaria no bolso o pr&oacute;prio pelo telefone pela rua e\/ou o pr&oacute;prio computador? Se ela imaginava o que seria a tal da internet e se,hoje, consegue viver sem ela? Observe quantas profiss&otilde;es surgiram a partir da internet, do celular e computador.<br \/>\n\tTenho 54 anos, comecei a dar aulas com 18. Eu envelhe&ccedil;o, meu aluno tem sempre 18 anos, ent&atilde;o acompanhei v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es. Tenho ex-alunos que trazem seus filhos para estudar comigo, ent&atilde;o l&aacute; vem outra gera&ccedil;&atilde;o. Numa profiss&atilde;o t&atilde;o desvalorizada, quanto a minha, considero-me um vencedor. Criei, h&aacute; 23 anos o CRIAR, uma refer&ecirc;ncia em L&iacute;ngua Portuguesa.&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tN&atilde;o saberia fazer outra coisa a n&atilde;o ser ensinar, provocar. Meu jovem aluno, n&atilde;o se desespere, o vestibular n&atilde;o &eacute; um monstro. E NADA &Eacute; PRA SEMPRE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Luiz Cl&aacute;udio Jubilato &nbsp;&ndash; diretor do Criar L&iacute;ngua Portuguesa e Reda&ccedil;&atilde;o Quando eu tinha 18 anos, os professores n&atilde;o brincavam e todo dia falavam como se fosse um mantra: &quot;Voc&ecirc;s est&atilde;o no ano do vestibular. 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