{"id":65,"date":"2014-01-21T09:45:55","date_gmt":"2014-01-21T12:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=65"},"modified":"2014-01-21T09:45:55","modified_gmt":"2014-01-21T12:45:55","slug":"lingua-na-teve-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2014\/01\/21\/lingua-na-teve-2\/","title":{"rendered":"L\u00edngua na Tev\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>\n\t<em><strong>Por Prof. Luiz Cl&aacute;udio Jubilato &nbsp;&ndash; diretor do Criar L&iacute;ngua Portuguesa e Reda&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\t<a href=\"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/files\/2014\/01\/Luiz-claudio-2ok2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-66\" height=\"150\" src=\"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/files\/2014\/01\/Luiz-claudio-2ok2-150x150.jpg\" width=\"150\" \/><\/a>21\/01\/2014 &#8211; Nesse artigo, vou mexer em &ldquo;vespeiros&rdquo;, a eterna discuss&atilde;o entre:&rsquo;a &ldquo;L&iacute;ngua culta&rdquo; x &ldquo;L&iacute;ngua Popular&rdquo;; gram&aacute;ticos x linguistas. Quero expor alguns fatores para elucidar o caminho que pretendo trilhar. Jos&eacute; de Alencar, por incorporar termos da l&iacute;ngua portuguesa do Brasil e seus regionalismos &agrave;s suas obras (Iracema, Til&hellip;), quando era comum imitar o idioma da metr&oacute;pole, foi acusado por Franklin T&aacute;vora e outros de escrever &ldquo;errado&rdquo;, al&eacute;m de &ldquo;construir um sertanejo idealizado&rdquo;. Hoje, &eacute; reverenciado como o primeiro romancista autenticamente nacionalista e o leg&iacute;timo fundador do romance brasileiro. Saudado pela sua &ldquo;coragem&rdquo;, &ldquo;seus erros&rdquo; encontram-se enclausurados em dicion&aacute;rios e livros did&aacute;ticos.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tManoel Ant&ocirc;nio de Almeida (Mem&oacute;rias de um Sargento da Mil&iacute;cias), Lima Barreto (Triste Fim de Policarpo Quaresma) foram, em suas respectivas &eacute;pocas, ridicularizados pela &ldquo;pseudo intelectualidade tupiniquim&rdquo;, porque, ao escreverem suas obras, abusaram do falar do &ldquo;homem comum&rdquo;, morador dos sub&uacute;rbios cariocas. Hoje, considerados g&ecirc;nios da literatura, justamente por descortinarem o linguajar e os h&aacute;bitos das classes baixas, &eacute; improv&aacute;vel ler esses sub&uacute;rbios sem o socorro de um dicion&aacute;rio. todas as l&iacute;nguas s&atilde;o t&atilde;o m&oacute;veis dentro da espiral da Hist&oacute;ria, como &eacute; m&oacute;vel o hom&ocirc;nimo &oacute;rg&atilde;o entre o assoalho e o c&eacute;u da boca. O popular tornou-se culto.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tPor outro caminho, chegaremos a um processo semelhante por outras vias. Guimar&atilde;es Rosa, (Grande Sert&atilde;o, veredas) &rdquo;cria est&oacute;rias&rdquo;, &ldquo;constr&oacute;i&rdquo; e &ldquo;desconstr&oacute;i&rdquo; palavras para extrair da mente, da pele, do suor, do cora&ccedil;&atilde;o, das cren&ccedil;as e descren&ccedil;as dos rudes &ldquo;coron&eacute;is&rdquo; e &ldquo;tropeiros&rdquo; das Minas Gerais, o que h&aacute; de mais humano e desumano no seu restrito mundo entre montanhas. Contudo, n&atilde;o &eacute; cr&iacute;vel que o sertanejo seja capaz de utilizar o vocabul&aacute;rio e as constru&ccedil;&otilde;es frasais t&atilde;o sofisticadas cultivadas pelo autor dentro do &uacute;tero das suas est&oacute;rias. Intelectuais at&eacute; constru&iacute;ram um dicion&aacute;rio espec&iacute;fico para &ldquo;entenderem&rdquo; um pouco melhor a sua obra. Erudito para os intelectuais e\/ou popular para o povo.&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tUma frase arreganha sua forma ver: &ldquo;O sert&atilde;o &eacute; o mundo&rdquo;.Graciliano Ramos andou por outro sert&atilde;o, igualmente rude e restrito, o mundo miser&aacute;vel da seca. No estilo do grande romancista, digladiavam-se o &ldquo;erudito&rdquo; e o &ldquo;popular&rdquo;. Em Vidas Secas, um narrador culto tenta destrinchar a alma do sertanejo, &ldquo;quase um bicho&rdquo;. Profunda contradi&ccedil;&atilde;o com Fabiano, o protagonista, que vivia na d&uacute;vida se era um homem ou um bicho. Um narrador igualmente culto mergulha na alma de um atormentado e rude Paulo Hon&oacute;rio, protagonista de S&atilde;o Bernardo. Outra contradi&ccedil;&atilde;o, pois Paulo Hon&oacute;rio, ex-caixeiro viajante, mal sabia falar. De maneiras diferentes, na obra desses e tantos outros g&ecirc;nios da literatura, o &ldquo;culto&rdquo; e o &ldquo;popular&rdquo; cal&ccedil;aram suas luvas para boxear.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tNo Humanismo, os nobres inventaram a tal &ldquo;inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo; (toque da m&atilde;o de Deus) para diferenciar o poeta (poesia palaciana &ndash; musicalidade sem instrumentos musicais) do trovador (m&uacute;sico das cantigas fruto da cultura oral). O poeta (erudito) x o trovador (popular). A partir da&iacute;, os nobre estabelecem a&iacute; o preconceito do poeta contra o letrista, at&eacute; que, pelo bem e\/ou pelo mal, esse preconceito arrefeceu. Que me perdoem se digladiaram pela obra do &ldquo;revolucion&aacute;rio&rdquo; Villa Lobos contra o &ldquo;ortodoxo&rdquo; Camargo Guarnieri.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tQuer dizer, ent&atilde;o, que Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Cazuza, Renato Russo (com suas letras sofisticadas) podem habitar o mesmo mundo de &ldquo;monstros sagrados&rdquo;, como Drummond, Cam&otilde;es, Fernando Pessoa&hellip; Agora, funkeiros, rappers, sertanejos&hellip; n&atilde;o. O mundo deles arrasta o linguajar marginalizado das periferias, favelas e sert&otilde;es. Uma l&iacute;ngua vira latas, tal qual a da literatura de cordel&hellip;.(Quem s&atilde;o: Patativa do Assar&eacute;? Azul&atilde;o? Z&eacute; Coco do Riach&atilde;o? Geraldinho? Mc Catra?&hellip;. para os &ldquo;intelectuais&rdquo; &eacute; impens&aacute;vel ombre&aacute;-los com Geraldo Vandr&eacute;, Belchior, muito menos com Ferreira Gullar, M&aacute;rio de Andrade, D&eacute;cio Pignatari, Oswald de Andrade&hellip;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tQuando falamos dessa eterna luta entre o &ldquo;erudito&rdquo; e o &ldquo;popular&rdquo;, do &ldquo;correto&rdquo; e do &ldquo;incorreto&rdquo; dentro da L&iacute;ngua Portuguesa, de que l&iacute;ngua estamos falando? Aquela multifacetada? Com todas as cores, odores e sabores, de todas as classes sociais? Ou aquela engessada nas gram&aacute;ticas, dicion&aacute;rios e livros did&aacute;ticos? O Museu da L&iacute;ngua Portuguesa foi um espa&ccedil;o criado para congregar essas v&aacute;rias caras, esses v&aacute;rios sotaques, esses muitos dialetos e idioletos. Inaugurado, come&ccedil;ou &ldquo;viajando&rdquo; pela obra de Guimar&atilde;es Rosa e hoje &ldquo;viaja&rdquo; pela obra de Cazuza. Do &ldquo;erudito&rdquo;, romancista\/contista ao &ldquo;popular&rdquo; poeta\/letrista.&nbsp;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tNo Museu, em cada peda&ccedil;o, est&aacute; carimbada a nossa cultura: como escrevemos, como falamos, como somos. Mas, ainda falta, podem usar o veneno para ati&ccedil;ar o vespeiro, O Museu discutir os usos do &ldquo;internet&ecirc;s&rdquo;, essa nova forma de comunica&ccedil;&atilde;o, pelos &ldquo;blogueiros&rdquo;, os &ldquo;Twitteiros&rdquo;, internautas, em geral. Outro mergulho deveria ser no mundo da imprensa: sua hist&oacute;ria,suas gafes, seus grandes personagens, mas tamb&eacute;m no mundo da tev&ecirc;: suas s&eacute;ries, miniss&eacute;ries, telejornais e telenovelas. As diversas classes sociais est&atilde;o representadas nelas. A tev&ecirc; quase todo mundo v&ecirc;.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tA telenovela, querendo ou n&atilde;o, constituiu-se numa marca do Brasil. A adapta&ccedil;&atilde;o de Escrava Isaura, de Bernardo Guimar&atilde;es, autor do Romantismo, percorreu uma quantidade enormidade de pa&iacute;ses, expandindo nossa cultura, contudo, nunca, nenhuma novela escancarou tanto um debate sobre os muitos Portugu&ecirc;s do Brasil, como &ldquo;Amor &agrave; vida&rdquo;. Walcyr Carrasco vai do gerundismo de Carlito, ao portugu&ecirc;s macarr&ocirc;nico de Denizar. Caminha da import&acirc;ncia dada ao falar &ldquo;correto&rdquo; pela contumaz leitora, D. Bernarda, ao &ldquo;n&atilde;o t&ocirc; nem a&iacute;&rdquo; dito e redito por Valdirene e M&aacute;rcia. Carlito, o Dj Del&iacute;cia, sem estudo, faz confus&atilde;o indiscriminada entre singular e plural, ao contr&aacute;rio do irm&atilde;o, Bruno, que estudou Direito, por isso n&atilde;o comete esses &ldquo;deslizes&rdquo;. Bruno, estudado, teve oportunidade de trabalho nos mais altos estratos sociais, enquanto Carlito, sem estudo, passou boa parte da novela desempregado. S&oacute; se deu bem quando conseguiu espa&ccedil;o nos estratos mais baixos da sociedade que se expressam como ele.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tEm uma cena simb&oacute;lica da nossa vis&atilde;o social, Paulinha diz aos pais, Bruno e Paloma, que foi mal na prova de Portugu&ecirc;s, mas n&atilde;o se importa, porque escolheu medicina e m&eacute;dico n&atilde;o precisa saber ler e escrever. Depois de os pais lhe passarem uma descompostura, afirmou, exaltada, que j&aacute; lera at&eacute; DOM QUIXOTE, de Miguel Cervantes. Nesta luta ferrenha entre o &ldquo;erudito\/culto&rdquo; e o &ldquo;popular\/inculto&rdquo;, n&atilde;o nos esque&ccedil;amos de que a tev&ecirc; traduziu Guimar&atilde;es Rosa, Manuel Ant&ocirc;nio de Almeida, Machado de Assis, &Eacute;rico Ver&iacute;ssimo e Jorge Amado, por exemplo, para o &ldquo;populacho&rdquo;, viraram miniss&eacute;rie; Jos&eacute; de Alencar, Lima Barreto e Jorge Amando, por exemplo, viraram novela. Grandes autores, com seus estilos e sotaques, de forma simples e clara, traduzidos para o &ldquo;inculto&rdquo; povo brasileiro.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\tDei essa volta toda, para ser &ldquo;espinafrado&rdquo; pelos puristas, com todos os poss&iacute;veis &ldquo;erros&rdquo;, para discutir a import&acirc;ncia de colocar em discuss&atilde;o, mesmo em uma novela, as diversas &ldquo;l&iacute;nguas&rdquo; desse Brasil de fronteiras invis&iacute;veis, mas existentes: o &nbsp;Portugu&ecirc;s, de &ldquo;Anos roubados&rdquo;, n&atilde;o &eacute; o mesmo de &rdquo; O tempo e o vento&rdquo;, muito menos o de &ldquo;Serra Pelada&rdquo;, mas &eacute; a nossa l&iacute;ngua p&aacute;tria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Luiz Cl&aacute;udio Jubilato &nbsp;&ndash; diretor do Criar L&iacute;ngua Portuguesa e Reda&ccedil;&atilde;o 21\/01\/2014 &#8211; Nesse artigo, vou mexer em &ldquo;vespeiros&rdquo;, a eterna discuss&atilde;o entre:&rsquo;a &ldquo;L&iacute;ngua culta&rdquo; x &ldquo;L&iacute;ngua Popular&rdquo;; gram&aacute;ticos x linguistas. 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