{"id":3923,"date":"2020-04-19T03:00:51","date_gmt":"2020-04-19T06:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/?p=3923"},"modified":"2020-05-10T03:01:06","modified_gmt":"2020-05-10T06:01:06","slug":"do-smartphone-as-plataformas-de-ensino","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2020\/04\/19\/do-smartphone-as-plataformas-de-ensino\/","title":{"rendered":"Do Smartphone \u00e0s plataformas de ensino"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"549\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3924\" src=\"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/files\/2020\/05\/smartphoneemsaladeaula.jpg\" srcset=\"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/files\/2020\/05\/smartphoneemsaladeaula.jpg 960w, http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/files\/2020\/05\/smartphoneemsaladeaula-300x172.jpg 300w, http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/files\/2020\/05\/smartphoneemsaladeaula-768x439.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros artigos sobre educa\u00e7\u00e3o, confessei minha avers\u00e3o pelas palavras \u201coficina\u201d e \u201cplataforma\u201d. &nbsp;Porcas, parafusos e roldanas, em formato de c\u00e9rebro, me parecem n\u00e3o ter nada a ver com educa\u00e7\u00e3o, e sim com mecaniza\u00e7\u00e3o, afinal educar n\u00e3o significa \u201cconsertar\u201d e sim \u201cconcertar\u201d. \u201cPlataforma\u201d me passa a sensa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o. Educa\u00e7\u00e3o exige muito mais que fincar os p\u00e9s no ch\u00e3o, prop\u00f5e \u201cal\u00e7ar voo\u201d, \u201cmergulho\u201d, \u201cdescobertas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m duas frases \u00e0s quais tenho avers\u00e3o. A primeira \u00e9 \u201cno meu tempo era melhor\u201d. Quem se prop\u00f5e a falar isso, apropria-se da hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria, na verdade, n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m. Us\u00e1-la para embotar o jovem, como se ele tivesse cometido o crime de lesa-velhice, a\u00ed sim \u00e9 crime. Vida \u00e9 muta\u00e7\u00e3o, nunca estagna\u00e7\u00e3o. A segunda \u00e9 \u201cprecisamos dar limite a essa crian\u00e7a\u201d. Penso que a crise de criatividade, no mundo moderno, talvez se deva a isso, \u201cimpor\u201d limites, embotar a criatividade da crian\u00e7a, torn\u00e1-la a imagem e semelhan\u00e7a dos pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diria o grande fil\u00f3sofo Mussum: \u201c\u00c9 a\u00ed que est\u00e1 o bus\u00edlis\u201d. H\u00e1 pouco participei de um debate com pais e educadores sobre \u201cO uso do smartphone em sala de aula\u201d. Sempre fui favor\u00e1vel ao uso. O que me assustou foi a frase repetida por v\u00e1rios: \u201cNo nosso tempo era melhor\u201d, a gente lia mais, prestava mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s aulas, respeitava mais os professores. Mentira. Observem o mundo que legamos aos nossos filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrecisamos dar limites aos filhos, muitos pais deixam eles (sic) pra l\u00e1\u201d. Eles ter\u00e3o a vida inteira para serem tolhidos. Ao inv\u00e9s de \u201climites\u201d, n\u00e3o seria melhor criarmos estrat\u00e9gias para descobrir talentos. O uso do smartphone nos tornar\u00e1 intr\u00e9pidos educadores? Claro que n\u00e3o. Mas, ele j\u00e1 sinaliza duas quest\u00f5es: 1) Quais estrat\u00e9gias as escolas desenvolveram para us\u00e1-lo a seu favor? 2) Por que insistimos em uma escola punitiva e n\u00e3o proativa, que nunca levou nem ela, nem o aluno a lugar nenhum? S\u00f3 a estudar para passar e n\u00e3o para saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas est\u00e3o a reboque da revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. A resist\u00eancia a mudan\u00e7as as torna \u201cchatas\u201d: 1) O celular se tornou a extens\u00e3o do corpo e do c\u00e9rebro. Os debatedores consultavam seus celulares a todo o momento 2) A \u00fanica forma de comandar uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 penetrar no mundo do revolucion\u00e1rio. Quem pro\u00edbe gosta de ser engando. 3) A escola, tal como a conhecemos hoje, est\u00e1 extinta, somente as paredes continuam de p\u00e9. 4) O professor, dono e senhor do conhecimento, tem que repensar sua conduta. A bordo de um dedo, qualquer aluno checa facilmente quaisquer informa\u00e7\u00f5es. 5) A escola \u201cimpositiva\u201d, sustentada pelas paredes da sala de aula, \u201cenenzada\u201d, \u201cconteudista\u201d, \u201cpunitiva\u201d est\u00e1 fadada a morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professores, que s\u00f3 t\u00eam como recursos os slides, o powerpoint, a c\u00e2mera de celular t\u00eam a falsa ilus\u00e3o de que mergulharam no mundo da tecnologia. Ilus\u00e3o? Sim. A linguagem virtual tem outra din\u00e2mica: simplificada, m\u00f3vel, colorida, interativa. Sentar um jovem em frente a uma tela de computador, durante 1h, \u201cassistindo\u201d a uma aula, chega a ser bisonho, basta observar a linguagem din\u00e2mica do Facebook e do Instagram. S\u00e3o grandes os desafios: Como usar a tecnologia a favor da escola de forma interativa, o aluno n\u00e3o pode apenas ser um assistente do que a escola cr\u00ea que deve ensinar? Como estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o envolva o mero adestramento via \u201cplataforma\u201d, tal como ela \u00e9 usada hoje?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia do corona v\u00edrus fez com que essas discuss\u00f5es ganhassem contornos ainda mais fortes. No debate, todos queriam trocar impress\u00f5es sobre como ser\u00e1 a escola p\u00f3s-pandemia. Eu n\u00e3o. Queria propor impress\u00f5es sobre a escola de hoje, obrigada a pegar carona na calda do v\u00edrus, mais preocupada em dar uma r\u00e1pida satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias. Simplesmente transferiram a escola presencial para plataformas de videoconfer\u00eancia. Essas \u201cplataformas\u201d colocam o aluno, de novo, na condi\u00e7\u00e3o de ser passivo. Diante de todos esses fatores, o professor quer que o aluno fale, participe, opine. Por isso, a reda\u00e7\u00e3o \u00e9 um bicho pap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escola foi pega com as cal\u00e7as nas m\u00e3os por um v\u00edrus. Inimagin\u00e1vel? Sim. Foi ser microsc\u00f3pico que p\u00f4s a escola contra a parede. Mostrou o despreparo de educadores e escolas para lidar com uma situa\u00e7\u00e3o inusitada. A sorte dela \u00e9 que o aluno \u201cenenzado\u201d, aco\u00e7ado por \u201ccheio de limites\u201d s\u00f3 se preocupa com quantidade de horas. Os professores do ensino fundamental est\u00e3o \u00e0 beira de um colapso, tiveram que criar estrat\u00e9gias de \u201censino\u201d na marra. Mas, mantiveram o mesmo sistema estressante de horas\/aula sem levar em conta que entupir o aluno de atividades s\u00f3 geraria mais estresse. &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns problemas precisam ser ponderados: 1) A grande maioria dos professores n\u00e3o foi capacitada para usar ferramentas virtuais, apenas reprisam aulas presenciais. 2) Alguns s\u00e3o \u201canalfabetos digitais\u201d e n\u00e3o querem sair da sua zona de conforto. 3) A escola perdeu o bonde da hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria do smartphone, que contei acima, joga luzes sobre o hoje. \u201cN\u00e3o quero que meu filho use o celular na sala de aula, mas o uso o meu nas reuni\u00f5es\u201d. Meu filho fica o tempo todo no celular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia fez com que os pais finalmente aprendessem a diferen\u00e7a entre educa\u00e7\u00e3o e ensino, filho e aluno. O confinamento desafiou pais a criarem estrat\u00e9gias para manterem crian\u00e7as atarefadas, professores a se desdobrarem para chegar at\u00e9 elas. A escola do presente precisa olhar para si mesma agora, para n\u00e3o se perder, querendo, \u201ca toque de caixa\u201d, fazer o que nunca dez. Agora \u00e9 hora de dialogar, construir uma escola sem paredes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, em uma propaganda, vi uma faculdade chamar pessoas para se matricular, porque d\u00e1 o mesmo n\u00famero de horas de uma universidade presencial. Passei para outro canal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outros artigos sobre educa\u00e7\u00e3o, confessei minha avers\u00e3o pelas palavras \u201coficina\u201d e \u201cplataforma\u201d. &nbsp;Porcas, parafusos e roldanas, em formato de c\u00e9rebro, me parecem n\u00e3o ter nada a ver com educa\u00e7\u00e3o, e sim com mecaniza\u00e7\u00e3o, afinal educar n\u00e3o significa \u201cconsertar\u201d e sim \u201cconcertar\u201d. \u201cPlataforma\u201d me passa a sensa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o. 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