{"id":3882,"date":"2018-09-27T21:43:24","date_gmt":"2018-09-28T00:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/?p=3882"},"modified":"2018-09-27T21:43:24","modified_gmt":"2018-09-28T00:43:24","slug":"como-faremos-para-mudar-isso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2018\/09\/27\/como-faremos-para-mudar-isso\/","title":{"rendered":"COMO FAREMOS PARA MUDAR ISSO"},"content":{"rendered":"<p>(O BOCA DO INFERNO &#8211; NO DIA DA DESRAZ\u00c3O)<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o est\u00e3o encaminhadas, crian\u00e7as caminham desnorteadas, rotas, desagregadas, sem futuro, nem comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo nunca foi melhor e nem pior. O mundo tem a idade de cada hist\u00f3ria. Cada um de n\u00f3s \u00e9 a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<br \/>\nN\u00e3o somos apenas roupa rasgada e ideias na cabe\u00e7a: n\u00e3o somos apenas can\u00e7\u00f5es ou bord\u00f5es. N\u00e3o precisamos de remendos nem costura. N\u00e3o somos Frankenstein. Somos o presente. Ign\u00f3bil, sorridente, indecente. Somos o presente demente, hist\u00e9rico, imediatista, suicida.<br \/>\nSomos objetos para todo tipo de penduricalhos sim. Somos consumidores consum\u00edveis sim. Somos o objeto do desejo sim. Somos o objeto que deseja sim. Somos o objeto.<br \/>\nPrecisamos de m\u00e3os, olhos, ouvidos, boca e c\u00e9rebro. Precisamos da palavra que n\u00e3o computa a dor, que n\u00e3o eleva dor, n\u00e3o acende a dor.<br \/>\nPrecisamos mudar esse estado de coisas, esse estado e essas coisas: buracos na nossa percep\u00e7\u00e3o, mentiras dentro da nossa percep\u00e7\u00e3o, buracos, roubos para a nossa percep\u00e7\u00e3o, buracos, buracos e mais buracos e muito fedor. H\u00e1 bandidos de gravata, tumor, c\u00e2ncer. Cansamos de ser? Cansamos de ter um dedo que ruma estirado, tra\u00eddo rumo \u00e0 urna, rumo \u00e0 tumba por quatro anos. Sofremos de Alzheimer pol\u00edtico, de miopia politica, Sofremos. N\u00e3o vamos omissos a bordo de um dedo \u00e0s urnas? Nem vamos? Todos s\u00e3o o mesmo?<br \/>\nNingu\u00e9m nasce para ficar pequeno, nascemos para nos mudar, nos desfrutar, nos encontrar nas passeatas, nas pra\u00e7as, nas ruas, nas esquinas. Nascemos para querer, para pegar, para transformar, sen\u00e3o quem seremos?<br \/>\nTodo mundo nasce para tirar o lombo da chibata, n\u00e3o para presentear, com sua apatia, o feitor. Estamos com o lombo presente. Presente para o torturador. E reclamamos de que? Recusamo-nos a dar um passo \u00e0 frente. Como sempre. Como nunca. Como quem n\u00e3o come.<br \/>\nO efeito dor est\u00e1 a\u00ed, temos que sair debaixo da toga dos desgra\u00e7ados, dos que nos mandam respirar, calar, murmurar. Dos que querem nos subjugar. Dos que cobram dos outros a \u00e9tica. Est\u00e9tica da qual sempre lan\u00e7am m\u00e3o por mau caratismo, por cacoete.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como faremos para mudar isso?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 mentira: o nosso sol n\u00e3o brilha, nem brilhar\u00e1 um dia se voc\u00ea n\u00e3o acender a luz do seu quarto, do seu querer, da sua vis\u00e3o, da sua consci\u00eancia, sen\u00e3o virar\u00e1 animal adestrado, objeto de consumo, produto de marketing..<br \/>\nSuas m\u00e3os viram a chave, abrem a porta, acendem a luz, suas ideias, suas utopias, suas epopeias. Suas m\u00e3os s\u00e3o suas, mas s\u00e3o guiadas, teleguiadas, armadas: morte do racioc\u00ednio, apenas rabiscos, garatujas.<br \/>\nArme um idiota e ele destr\u00f3i um mundo, usurpa um pensamento, enclausurada o que o desmascara, finge ser dono da moral e os bons costumes, seja l\u00e1 o que isso signifique. N\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para os seus filhos. Veem coer\u00eancia nos incoerentes.<br \/>\nArme um cretino e ele abra\u00e7a outro fan\u00e1tico, constr\u00f3i uma seita. Toda seita n\u00e3o aceita o seu contr\u00e1rio, o seu oposto. Simples assim. Lema: matar para justi\u00e7ar.<br \/>\nArme um energ\u00fameno e ele mata garotos a esmo na escola. Mata a professora. O alfabeto, o analfabeto, o futuro na sua desraz\u00e3o, mas reivindica suas raz\u00f5es, sua sde de vingan\u00e7a contra a sociedade, ouvindo vozes, v\u00edtimas suspeitas de bulliyng, maus tratos, solid\u00e3o, pecado.<br \/>\nPonha uma arma nas m\u00e3os de um cidad\u00e3o de bem (?): se ele segur\u00e1-la, fuja. Ele n\u00e3o lhe quer t\u00e3o bem assim. Mata o que cr\u00ea in\u00fatil, f\u00fatil. Mata com sua viseira. Tem certeza nas suas incertezas. N\u00e3o pensa nos pr\u00f3prios filhos nascendo na viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como faremos para mudar isso?<\/p>\n<p>Precisamos de adubos: precisamos de novas roupas coloridas, urgentemente de novos poemas, novas ideias, novas can\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNossos jovens est\u00e3o monossil\u00e1bicos, em que gaveta guardam o grito, lhes ensinamos o mutismo. Eles aprenderam r\u00e1pido. Suicidam-se no sil\u00eancio, com silenciador e sua dor.<br \/>\nNossos jovens sobreviventes preferem a disciplina \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, morreu a cren\u00e7a, agoniza o ideal, a fantasia. Cresce a mentira. Eles engolem. Mais f\u00e1cil. N\u00e3o h\u00e1 atitude a tomar, \u00e9 s\u00f3 empacar. Como um jumento diante do c\u00f3rrego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como faremos para mudar isso?<\/p>\n<p>\u00c9 mentira, a amea\u00e7a de uma tempestade destruidora. A tempestade j\u00e1 est\u00e1 aqui h\u00e1 muito. A tempestade \u00e9 a arma: ela afoga, atrav\u00e9s do discurso torto, da bala perdida com endere\u00e7o certo, do assassinato do opositor que acha que sabe nadar. Ela afoga a poesia, a mudan\u00e7a. Ela quer destruir o que est\u00e1, para nos presentear com o passado.<br \/>\nA chuva molha todo mundo, at\u00e9 quem acha que o guarda-chuva lhe protege. N\u00e3o h\u00e1 inocentes numa dita chuva. A chuva de vento come\u00e7a pelas pernas, chega \u00e0 cabe\u00e7a com o v\u00edrus, as secre\u00e7\u00f5es e a febre. N\u00e3o h\u00e1 inocentes, dita a chuva. A chuva adoece o corpo e a alma. A chuva impede a luta. Aliena. \u00c9 preciso pisar no barro. Afogar-se na lama, virar esterco. Como quem quer uma ditadura, se j\u00e1 vive sob ela? Como uma pessoa exige uma doen\u00e7a degenerativa? Bata no seu filho e atente para o monstro que criar\u00e1?<br \/>\nOnde nossos jovens guardaram seus ideais, suas palavras de ordem, seu canto de guerra? N\u00e3o pensam, n\u00e3o sabem da for\u00e7a da palavra, preferem o mutismo da vaca de pres\u00e9pio. Do n\u00e3o \u00e9 comigo. Da brincadeira de cabra cega.<br \/>\nPrecisam ser ensinados, n\u00e3o doutrinados. Educa\u00e7\u00e3o ou condu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como faremos para mudar isso?<\/p>\n<p>\u00c9 mentira do seu av\u00f4, no tempo dele nada era melhor: o passado est\u00e1 morto, mas n\u00e3o enterrado. \u00c9 cad\u00e1ver insepulto para culto dos saudosistas renitentes, a inflama\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o sabem e \u00f3dio dos motores, motores impulsionam para frente.<br \/>\nNossa estrada tem muitas curvas, curvas s\u00e3o necess\u00e1rias para chegar \u00e0s retas e as retas para chegar \u00e0s curvas, como a mulher gr\u00e1vida que traz dentro de si sua continua\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs coisas n\u00e3o est\u00e3o encaminhadas, caminham, crian\u00e7as precisam ser educadas, os velhos de velhas ideias precisam de empurr\u00f5es.<br \/>\nO cotidiano cheira a merda nas p\u00e1ginas e nas telas e nas bocas. Insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 bom. \u00c9 o germe da ambi\u00e7\u00e3o, o adubo da revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDente cariado precisa doer para ser tratado.<br \/>\nH\u00e1 muitos traficantes e passantes; h\u00e1 bocas de lobo protegidas por dentes de ferro no passeio. Est\u00e3o ali para machucarem saltos distra\u00eddos, romper tend\u00f5es, ligamentos.<br \/>\nH\u00e1 muita porrada a torto e a direito, os altos saltos agulha fingem n\u00e3o ver, \u00e9 mais c\u00f4modo contornar a boca, j\u00e1 que lobos escondem a merda no submundo.<br \/>\nDominar os ignorantes \u00e9 torpe. Desapropriar a pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia \u00e9 distopia. Desabrigar a pr\u00f3pria consci\u00eancia virou mania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, como faremos para mudar isso?<\/p>\n<p>Liberdade n\u00e3o existe, \u00e9 mentira mal empregada, outrora desempregada, inventada para entreter quem se fartar\u00e1 com a revolu\u00e7\u00e3o. Quem se infectar\u00e1 com a regress\u00e3o.<br \/>\nLiberdade \u00e9 como privacidade, cada um tem a ilus\u00e3o de conseguir a sua.<br \/>\nLiberdade n\u00e3o \u00e9 disciplina, \u00e9 desraz\u00e3o, \u00e9 muro, \u00e9 condu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo se faz para ascender a chama de quem n\u00e3o quer lutar, nunca soube idealizar, nunca soube o que \u00e9 pensar? Sabe t\u00e3o somente decorar.<br \/>\nA chama chama. Chama por uma utopia. Mas, n\u00e3o chama o ascendedor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(O BOCA DO INFERNO &#8211; NO DIA DA DESRAZ\u00c3O) As coisas n\u00e3o est\u00e3o encaminhadas, crian\u00e7as caminham desnorteadas, rotas, desagregadas, sem futuro, nem comunh\u00e3o. O mundo nunca foi melhor e nem pior. O mundo tem a idade de cada hist\u00f3ria. Cada um de n\u00f3s \u00e9 a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. 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