{"id":3624,"date":"2014-07-25T19:14:54","date_gmt":"2014-07-25T22:14:54","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/?p=3624"},"modified":"2014-07-27T16:45:29","modified_gmt":"2014-07-27T19:45:29","slug":"tragedia-suburbana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2014\/07\/25\/tragedia-suburbana\/","title":{"rendered":"TRAG\u00c9DIA SUBURBANA"},"content":{"rendered":"<p>(LUIZ CL\u00c1UDIO JUBILATO &#8211; 25\/07\/2014)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AMB\u00cdGUA, E S\u00d3&#8230;<\/p>\n<p>(mem\u00f3ria rememorada)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vim aqui talvez para encontrar alguma coisa especial<\/p>\n<p>Remexendo o lixo.<\/p>\n<p>As folhas em branco, onde rabisquei qualquer coisa<\/p>\n<p>cheia de erros de Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>E s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei nem o que pode ser nesta casa velha<\/p>\n<p>Ah, sim! Vejo crian\u00e7as. Elas choramingam. E muito&#8230;<\/p>\n<p>Faz frio. A luz apagou. Os fantasmas acordaram<\/p>\n<p>arrastam qualquer coisa nos meus ouvidos. S\u00e3o velhas carca\u00e7as<\/p>\n<p>Havia um oceano entre n\u00f3s. Agora nem uma pia sequer<\/p>\n<p>O velho capit\u00e3o escanhoado, o lobo do mar da noite de chuva molha bobo<\/p>\n<p>Cambaleia entre o aqui, o l\u00e1, o acol\u00e1&#8230; N\u00e3o anda, cambaleia<\/p>\n<p>N\u00e3o traz espada nem comida d\u00f3 uma garrafa e bafo de pinga<\/p>\n<p>Lobos do mar n\u00e3o amamentam e n\u00e3o gostam de revistas<\/p>\n<p>principalmente de revistas em quadrinhos.<\/p>\n<p>H\u00e1 vil\u00f5es e assombra\u00e7\u00f5es dentro delas. Her\u00f3is s\u00e3o idiotas em seu ilus\u00f3rio poder<\/p>\n<p>A matrona entrou correndo pela boca da porta cheia de vilania<\/p>\n<p>boca escancarada, s\u00f3 gengiva. Descascada cariada<\/p>\n<p>Os cupins corroeram os dentes dela&#8230; os peitos dela tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Bact\u00e9rias s\u00e3o assim, destroem portas e peitos<\/p>\n<p>constroem c\u00e1ries, abrem frestas<\/p>\n<p>Mastigado pelos dias o maci\u00e7o vira polvilho, o polvilho vira p\u00f3<\/p>\n<p>Ainda construirei c\u00e1ries nos dedos do velho lobo<\/p>\n<p>ele tinha de nos salvar da escurid\u00e3o. Do medo. Do vil\u00e3o. Dos que vir\u00e3o<\/p>\n<p>Ainda criarei c\u00e1ries no c\u00e9rebro do escrivinhador, do desenhador, do contador<\/p>\n<p>dessa hist\u00f3ria de mim, de quem me fez isso.<\/p>\n<p>De quem me fez me enganar. Revirar as tripas.<\/p>\n<p>Depois de tanto tempo me angustiar<\/p>\n<p>As crian\u00e7as continuam choramingando. Fungam. C\u00e3ozinhos. E s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>O velho lobo n\u00e3o as afaga. A matrona tamb\u00e9m n\u00e3o. \u00c9 tarde da noite. E s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Acendeu a luz. Agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o Barba Negra, o pirata. Virou super-homem<\/p>\n<p>Homens? super-homens n\u00e3o amamentam vil\u00f5ezinhos \u00a0catarrentos chor\u00f5es<\/p>\n<p>O ex-her\u00f3i fala pastoso. \u00c9 brig\u00e3o. Arranca seu p\u00eanis murcho pra matrona berrenta<\/p>\n<p>\u00c9 preciso prender o doutor X. N\u00e3o \u00e9 assim? N\u00e3o sucumbir mais \u00e0 criptonita<\/p>\n<p>criptonita engarrafada provoca c\u00e1ries no est\u00f4mago, desarranjos intestinais<\/p>\n<p>O her\u00f3i n\u00e3o cagar\u00e1 desbragadamente no bandido para prend\u00ea-lo<\/p>\n<p>O vil\u00e3o cupim torna a diarr\u00e9ia \u00e1cida<\/p>\n<p>t\u00e3o \u00e1cida quanto a caipirinha do Ti\u00e3o do Bar da Esquina<\/p>\n<p>provoca engulhos como a cena do streep tease da muxibenta gorda<\/p>\n<p>daquela velha daquela suja boate suja do Br\u00e1s que tem cheiro de bosta<\/p>\n<p>Acho que um dia vou me masturbar querendo a velha Fisher<\/p>\n<p>Nada me vem na cabe\u00e7a de fato, s\u00f3 aquela foto velha da Playboy<\/p>\n<p>n\u00e3o tenho sonhos her\u00f3icos! Er\u00f3ticos! Her\u00f3iticos?!<\/p>\n<p>N\u00e3o sonho. S\u00f3 vivo. E s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Tenho olheiras na boca. Bile nos olhos. N\u00e3o como ningu\u00e9m<\/p>\n<p>Tenho excre\u00e7\u00e3o na cal\u00e7a, na cara, na cabe\u00e7a<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se de dor de consci\u00eancia &#8211; talvez s\u00f3 esperma. E S\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o fumo n\u00e3o bebo n\u00e3o vivo n\u00e3o jogo n\u00e3o bebo n\u00e3o vivo<\/p>\n<p>N\u00e3o meto n\u00e3o amo n\u00e3o vejo n\u00e3o beijo n\u00e3o escapo n\u00e3o amo<\/p>\n<p>Quebro vidra\u00e7as jogando bola &#8211; mas sem amigos nem inimigos<\/p>\n<p>E S\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>As crian\u00e7as choram ainda apavoradas. A luz apagou. O mundo acabou<\/p>\n<p>O velho pirata n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lembran\u00e7a. Nem s\u00f3 o capit\u00e3o gancho.<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 ali no outro quarto roncando ali<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 vil\u00e3o nem super-homem. N\u00e3o \u00e9 feliz<\/p>\n<p>\u00c9 um b\u00eabado escarrapachado<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lembran\u00e7a. Real<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 s\u00f3 ali<\/p>\n<p>A matrona olha com vilania. Ela tem o poder do sexo. E s\u00f3<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o sabe, mas&#8230;<\/p>\n<p>Est\u00e1 ao alcance da criptonita. Da espada. Da garrafa<\/p>\n<p>Do fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(LUIZ CL\u00c1UDIO JUBILATO &#8211; 25\/07\/2014) &nbsp; AMB\u00cdGUA, E S\u00d3&#8230; (mem\u00f3ria rememorada) &nbsp; Vim aqui talvez para encontrar alguma coisa especial Remexendo o lixo. As folhas em branco, onde rabisquei qualquer coisa cheia de erros de Portugu\u00eas. E s\u00f3&#8230; N\u00e3o sei nem o que pode ser nesta casa velha Ah, sim! Vejo crian\u00e7as. Elas choramingam. 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