{"id":31,"date":"2013-10-23T17:37:31","date_gmt":"2013-10-23T20:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=31"},"modified":"2013-10-23T17:37:31","modified_gmt":"2013-10-23T20:37:31","slug":"e-proibido-proibir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2013\/10\/23\/e-proibido-proibir\/","title":{"rendered":"\u00c9 proibido proibir"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Artigo do professor Luiz Cl\u00e1udio Jubilato, publicado em seu blog no dia 17\/10\/2013<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nunca tive \u00eddolos, porque eles t\u00eam uma imensa capacidade de trair nossas expectativas. Idolatrar significa, muitas vezes, perder a raz\u00e3o, entregar-se menos de corpo e mais de alma a um ser que pressupomos maior que n\u00f3s ou pela for\u00e7a, ou pelo talento, ou pelos ideais, ou seja l\u00e1 pelo que for. Maior e melhor. \u00cddolos sintetizam nossas fantasias, o que quer\u00edamos ser, ter ou fazer. A internet, por exemplo, empurra pela goela abaixo da patuleia cibern\u00e9tica idiotas travestidos de talentos aos borbot\u00f5es. S\u00e3o os \u201ctalentos\u201d de ocasi\u00e3o. Aparecem e desaparecem com a velocidade de um cometa. N\u00e3o t\u00eam uma biografia a defender. N\u00e3o t\u00eam uma \u201chist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O capitalismo tem uma imensa capacidade de forjar \u00eddolos, para que sejam vendidos como alfafa para animais. Jimi Hendrix e Janis Joplin, quando se deram conta de que se tornaram objetos de compra e venda, afogaram-se nas drogas e em po\u00e7as de v\u00f4mito. Se aparecerem os tais contestadores, como os hippies, n\u00e3o h\u00e1 problema algum, a ind\u00fastria do entretenimento \u00e9 antropof\u00e1gica: atrai, pega, deglute, transforma e caga-os um a um. Viram moda, objetos, cartazes vendidos em lojas de CDs e DVDs. Anti-\u00eddolo \u00e9 \u00eddolo dos babacas, f\u00e1brica de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o Socialismo? \u00c9 diferente? De jeito nenhum. H\u00e1 apenas uma diferen\u00e7a, adora as denomina\u00e7\u00f5es megal\u00f4manas, como: \u201cGuia Genial dos povos\u201d. O discurso parece revolucion\u00e1rio, a propaganda \u00e9 a grande arma para a suposta revolu\u00e7\u00e3o, no entanto as pris\u00f5es s\u00e3o mais sombrias. Possui uma capacidade imensa de iludir e obstruir o pensamento remontando a hist\u00f3ria. Calar os dissidentes. Destruir-lhes a reputa\u00e7\u00e3o. T\u00e1ticas pisadas e repisadas. Fabrica s\u00edmbolos revolucion\u00e1rios barbudos como fabrica covas aos montes em nome da igualdade dos povos, mas s\u00f3 quem lucra com isso s\u00e3o os membros dos mais altos escal\u00f5es do partido. Condenam o capitalismo, por\u00e9m se refestelam nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 as ditaduras capitalistas, socialistas, igualmente corruptas, que t\u00eam a imensa capacidade de endeusar o \u201cgeneral\u201d de plant\u00e3o. A maioria dos contestadores s\u00f3 berram, mas n\u00e3o pegam em armas, deixam a entender que sua arte fala por eles, por\u00e9m, muitas vezes, ela os trai. A pr\u00e1tica n\u00e3o consegue acompanhar o discurso: \u201cVem, vamos embora\/que esperar n\u00e3o \u00e9 saber\/quem sabe, faz a hora\/n\u00e3o espera acontecer\u201d. Criaram o mito em torno de Geraldo Vandr\u00e9 que, supostamente, teria sido torturado pelo DOI-CODI (a pol\u00edcia pol\u00edtica da ditadura), por\u00e9m, tempos depois, a lenda se desfez. Descobriu-se que ele fugiu para outro pa\u00eds. A hist\u00f3ria do autor de \u201cCaminhando\u201d n\u00e3o passava de uma fraude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caetano Veloso se apropriou da bandeira dos jovens acampados no Quartier Latim, em Nanterre, na Fran\u00e7a. Em maio de 68, lutavam pela melhoria do ensino, liderados por Daniel \u201cLe Rouge\u201d. Caetano, num discurso raivoso, gritou a plenos pulm\u00f5es, no FIC (Festival Internacional da can\u00e7\u00e3o): \u201c\u00c9 proibido proibir\u201d. Foi aplaudido de p\u00e9 pelos que estavam engasgados com o sangue espalhado por todos os cantos pelos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chico Buarque, segundo a lenda, usou o pseud\u00f4nimo de \u201cJulinho da Adelaide\u201d para se \u201csafar\u201dda censura. A lenda de que sua m\u00fasica metaf\u00f3rica venceu a trucul\u00eancia de Ernesto Geisel, pois o artista censurado era o \u00eddolo da filha do general, correu as reuni\u00f5es de todas as organiza\u00e7\u00f5es clandestinas ou n\u00e3o: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o gosta de mim, mas sua filha gosta\u201d. Por causa desse epis\u00f3dio, Chico virou mais um dos paladinos da arte combatendo o canh\u00e3o. Muitos exilados, que nada fizeram contra o regime militar, viveram agarrados a hist\u00f3rias escabrosas, que n\u00e3o passavam de hist\u00f3rias da carochinha, como a deporta\u00e7\u00e3o de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Quem n\u00e3o se lembra de \u201cLondon London\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como uma ora hora ou outra, a verdade esfarela o mito, o cordeiro que uivava como lobo n\u00e3o passava de um cordeirinho. Debaixo do casco duro surgia a feiosa e molenga tartaruga, para continuar vivendo e ganhando com a lenda, os censurados se transformaram em censores: qualquer biografia n\u00e3o autorizada n\u00e3o ser\u00e1 admitida, isto \u00e9, ser\u00e1 proibida. O que \u00e9 isso? Deve ser coisa de torturadores descobertos pela comit\u00ea da verdade mentirosa. Ser\u00e1 que o grande problema est\u00e1 no fato de que a biografia pode destruir o biografado: ao inv\u00e9s da lenda poder\u00e1 viver numa tenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do professor Luiz Cl\u00e1udio Jubilato, publicado em seu blog no dia 17\/10\/2013 Nunca tive \u00eddolos, porque eles t\u00eam uma imensa capacidade de trair nossas expectativas. 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