{"id":2688,"date":"2014-03-17T18:12:48","date_gmt":"2014-03-17T21:12:48","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/?p=2688"},"modified":"2014-03-17T18:14:38","modified_gmt":"2014-03-17T21:14:38","slug":"o-rato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2014\/03\/17\/o-rato\/","title":{"rendered":"O RATO"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal\"><span style=\"font-size: 12.0pt;font-family: 'Times New Roman','serif'\">(LUIZ CL\u00c1UDIO JUBILATO &#8211; 17\/03\/2014)<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height: normal\"><span style=\"font-size: 12.0pt;font-family: 'Times New Roman','serif'\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;line-height: normal\"><span style=\"font-size: 12.0pt;font-family: 'Times New Roman','serif'\">Engoliu a vergonha com o p\u00e3o dormido. Ontem. Porre. Pinga. Putas e lembran\u00e7as. De novo. A armadilha. O Bar do Beco fechou. E para sempre. Acordou com bafo de pinga. <span>\u00a0<\/span>Travesseiro azedo e a amn\u00e9sia acorrentada ao ontem de todo dia. Era ruim e era bom. O pesco\u00e7o. Preso. Mais um lapso. Melhor assim. Aquele p\u00e3o de dois dias. Passivo. N\u00e3o se libertava. Nem queria. O miolo crescendo na boca. Borracha. Desce exprimido. Sufoca. Que escorregasse com ele a vida! O pior de tudo n\u00e3o ficava nas noites, massacrava os dias. A armadilha. De novo. De dia podia ver suas espinhas. Trope\u00e7ando em si mesmo, remo\u00eda cenas, cenas, as mesmas cenas. O mesmo tema. Nunca ganhou. Como nos filmes, o bandido, ele, morria no final. O tempo matava os tra\u00e7os. Ela. N\u00e3o era mais ela. Era quase ela. O tempo. Bafo azedo. Pintor charlat\u00e3o. Voraz. Cenas, cenas, uma comia a outra. Virou v\u00edcio. Armadilha. Anos e anos. N\u00e3o se lembra do riso. Droga de v\u00edcio. Droga. Filha da puta. Princesa. Revira o limbo. Novo caco remonta o espelho quebrado. N\u00f3 nas tripas. Pronto. Lembrou-se dela. De novo. Ela coisa divina. Dem\u00f4nio. Vinha do cheiro. Da parede. Do nada. Armadilha. O pesco\u00e7o preso. Dias, meses, anos&#8230; Quem sabe, meses! Quem sabe, s\u00e9culos! Quem sabe, mil\u00eanios! Passivo. Respira pouco. Paix\u00e3o. Sofrimento. Humilha\u00e7\u00e3o. Perdeu o respeito por si. Como ela poderia v\u00ea-lo, sem vomitar? Olhava-o. ele estava, mas n\u00e3o estava l\u00e1. J\u00e1 amava amar o sofrimento. Seu cancro. Seu calo. Unha encravada. Do\u00eda. Pra que tir\u00e1-la? Armadilha. De novo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 115%;font-family: 'Times New Roman','serif'\">Sabia. Nunca fora protagonista daquela hist\u00f3ria. Era comum. Feio. Pobre. O mocinho era dinheiro. Quando muito. Mas muito mesmo. N\u00e3o passava de personagem secund\u00e1rio. Entre mentiras. L\u00ednguas e seios. Quando muito, n\u00e3o mais que figurante terci\u00e1rio. Medo de perder. O que n\u00e3o nunca teve. Tem. Ou ter\u00e1. Ela riu. Armadilha. Riso de amiga. Insistiu. De novo. Esqueceu-se de si. De novo. Perdeu a vergonha. De novo. Nunca mais a viu. Mas, ela riu. Armadilha. Caiu. Vasculhou-a no arm\u00e1rio. Na sala. Na madrugada, Dentro de si. Leu numa p\u00e1gina velha, de uma revista velha. \u00daltimo exemplar.<span>\u00a0 <\/span>Morreu. O homem velho. Rugas na testa. \u00d3culos de doutor. Disse. Explicou com autoridade, que o que d\u00e1 gosto ao queijo cheio de buracos, s\u00e3o os buracos. Riu. Desejou-os para si. E?!&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(LUIZ CL\u00c1UDIO JUBILATO &#8211; 17\/03\/2014) \u00a0 Engoliu a vergonha com o p\u00e3o dormido. Ontem. Porre. Pinga. Putas e lembran\u00e7as. De novo. A armadilha. O Bar do Beco fechou. E para sempre. Acordou com bafo de pinga. \u00a0Travesseiro azedo e a amn\u00e9sia acorrentada ao ontem de todo dia. Era ruim e era bom. O pesco\u00e7o. Preso. 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