{"id":22,"date":"2013-10-23T13:28:02","date_gmt":"2013-10-23T16:28:02","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=22"},"modified":"2013-10-23T13:28:02","modified_gmt":"2013-10-23T16:28:02","slug":"aprendendo-a-voar-caindo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2013\/10\/23\/aprendendo-a-voar-caindo\/","title":{"rendered":"Aprendendo a Voar Caindo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Artigo do professor Luiz Cl\u00e1udio Jubilato, publicado em seu blog no dia 24\/09\/2013<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As \u00e1guias atiram seus filhotes no abismo, pois lhes aplica a lei da inicia\u00e7\u00e3o, para que aprendam a voar. Ao serem projetados contra a morte, abrem as asas para se salvar. A isso chamamos defesa. A experi\u00eancia transformar\u00e1 o medo em destreza, voos cada vez mais altos alcan\u00e7ar\u00e1, limites s\u00f3 a luta pela sobreviv\u00eancia lhes impor\u00e1. As m\u00e3es humanas t\u00eam outro h\u00e1bito, o de amparar seus filhos segurando-0s pela m\u00e3o. Ao solt\u00e1-los, cair\u00e3o e, se deix\u00e1-los sozinhos, como atir\u00e1-los no abismo sem asas, n\u00e3o sobreviver\u00e3o. A aprendizagem dos seres ditos humanos \u00e9 bem diferente. As crian\u00e7as, desde cedo, amar\u00e3o o status, brigar\u00e3o para serem admiradas, adquirirem respeito, serem invejadas, mesmo tudo isso sendo conquistados \u00e0 custa de maltratarem a mente. A m\u00e3e cria seus filhotes para ensin\u00e1-los a andar, a vencerem na vida, a sustentarem-se, a terem garras, a n\u00e3o abaixarem a cabe\u00e7a, a terem metas grandiosas, a conquistar. Acredita que, valorizando a fama, a beleza, a riqueza, e, como todo predador, nunca fraquejar. As verdades n\u00e3o lhes interessar\u00e3o, abra\u00e7ar\u00e3o, para jamais largar, a sua t\u00e3o sonhada grandeza. Assim n\u00e3o sentir\u00e3o medo, estresse, depress\u00e3o, sustentados, mesmo sem asas, pelas suas armas, pela sua inabal\u00e1vel certeza. Apenas perceber\u00e3o sua fraqueza quando, em desespero, estiverem caindo. As amizades sinceras, a divers\u00e3o, a conviv\u00eancia com a fam\u00edlia n\u00e3o importar\u00e3o, enquanto receberem parab\u00e9ns porque est\u00e3o subindo. A pressa, a press\u00e3o do trabalho, os compromissos, as festas, o dinheiro, os puxa sacos lhes satisfar\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o dos filhos ficar\u00e1 para a escola, o porteiro do pr\u00e9dio, o motorista da van, os av\u00f3s, a televis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vem a vida, de repente, e desconhece tudo isso. Aproveita do fato de esse ser onisciente, onipresente n\u00e3o perceber o tamanho do risco. Volta, com punhos cerrados, para nocaute\u00e1-lo, impor-lhe seu maior rev\u00e9s, pois, quando se d\u00e1 conta, ela lhe tira o ch\u00e3o debaixo dos p\u00e9s. Vencer, a partir da\u00ed, ganha novo significado. Vit\u00f3ria torna-se sin\u00f4nimo de esperar, porque for\u00e7osamente a pressa acaba, seus dias se limitam a tentar falar, ganhar equil\u00edbrio, mexer, no m\u00ednimo, o dedo mindinho e at\u00e9 mesmo andar. Volta o onisciente, o predador onipotente a ser beb\u00ea, pois algu\u00e9m precisa aliment\u00e1-lo e, se for fazer coc\u00f4, algu\u00e9m tem de limp\u00e1-lo. Vergonha vira sensa\u00e7\u00e3o inexistente: se algum paciente dizer que a sente, pode acreditar que s\u00e3o efeitos da arrog\u00e2ncia ainda resqu\u00edcio do status adquirido antes do acidente. Verdade, \u00e0s vezes, mente. Ver o mundo por outro prisma, aprender a se aceitar, \u00e9 muito f\u00e1cil propor a esse novo ser humano, o dif\u00edcil \u00e9 convenc\u00ea-lo de que ele precisa se reinventar. Voltar a ser como era, torna-se uma obsess\u00e3o, uma tortura, o maior desafio. V\u00ea-se, com o passar das noites, perdido numa luta ingl\u00f3ria, como uma pessoa a nado, sem os bra\u00e7os, atravessar um rio. Vontade de tentar, desejo de parar; \u00e0s vezes euforia, \u00e0s vezes frustra\u00e7\u00e3o. Vislumbram uma caminhada solit\u00e1ria, como um cego numa multid\u00e3o. Varrer os maus pensamentos, deixar de ser descontente faz dos psicoterapeutas, rem\u00e9dios, m\u00e9dicos, fisioterapeutas uma esp\u00e9cie de bengala. Vibram, como crian\u00e7as diante de um brinquedo com fonoaudi\u00f3logos, quando eles os ajudam a recuperar a fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contrariando tudo o que pensamos, n\u00e3o temos asas, por\u00e9m a obrigatoriedade de vencer, impulsiona-nos a voar. Cremos, no entanto, que nunca h\u00e1 muros suficientemente fortes capazes de nos parar, nem obst\u00e1culos t\u00e3o espinhosos a ponto de nos arranhar. Como nascemos num planeta cortado pelo meridiano de Greenwich, uma linha imagin\u00e1ria, nem nos damos conta de que h\u00e1 um meridiano nos cortando ao meio que passa pelo nosso nariz. Cada um de n\u00f3s \u00e9 parido partido ao meio, mas essas partes t\u00e3o d\u00edspares est\u00e3o grudadas a uma raiz. C\u00e9rebro, agora sin\u00f4nimo de \u00e1rvore, frut\u00edfera, cuja seiva compensa defici\u00eancias exacerbando os sentidos de um cego, um surdo, um mudo. Convence-nos a cada instante que, para darmos passos, temos de costurar cada parte, juntar tudo. Conscientemente, nossos pais nos incentivam a divisar o branco do preto, a felicidade da tristeza, o a\u00e7\u00facar do sal. Cultuamos dentro de n\u00f3s a luta entre o bem do mal. Caminhamos sabendo que alguns filhos nascem destros, outros sinistros: para os primeiros, a Igreja reservou o perd\u00e3o e um terreno no c\u00e9u; os outros, as fogueiras da inquisi\u00e7\u00e3o, o inferno, o breu. Cientistas, economistas justificam suas teorias afogados na argumenta\u00e7\u00e3o; artistas, m\u00edsticos n\u00e3o se justificam, afogam-se na mais pura emo\u00e7\u00e3o; algumas pessoas sozinhas, s\u00e3o multid\u00e3o; outras, mesmo acompanhadas, s\u00e3o solid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nAVC (acidente vascular cerebral), sigla assustadora. A cada minuto mata um paciente. Estamos numa civiliza\u00e7\u00e3o de pessoas doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vamos mudar o significado dessa sigla para todos os sobreviventes. Dar a ela, em nome deles, novos conceitos, novos preceitos. Acabar com as inseguran\u00e7as. Destruir os medos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AVC \u2013 Acordar para Vivenciar a Constru\u00e7\u00e3o de um novo ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AVC \u2013 \u00c1vidos para Vislumbrar novos Caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AVC \u2013 Amarmos a Vida Compensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AVC \u2013 Amarmos a Vit\u00f3ria Compensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AVC \u2013 Aprenderemos a Viver Construindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AVC \u2013 Aprenderemos a Voar Caindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do professor Luiz Cl\u00e1udio Jubilato, publicado em seu blog no dia 24\/09\/2013 As \u00e1guias atiram seus filhotes no abismo, pois lhes aplica a lei da inicia\u00e7\u00e3o, para que aprendam a voar. Ao serem projetados contra a morte, abrem as asas para se salvar. A isso chamamos defesa. 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