{"id":17,"date":"2013-09-09T17:50:07","date_gmt":"2013-09-09T20:50:07","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=17"},"modified":"2013-09-09T17:50:07","modified_gmt":"2013-09-09T20:50:07","slug":"por-que-escrevo-no-facebook","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2013\/09\/09\/por-que-escrevo-no-facebook\/","title":{"rendered":"Por Que Escrevo No Facebook"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Autor: Luiz Cl\u00e1udio Jubilato<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma ex-aluna, que n\u00e3o vejo h\u00e1 anos, me perguntou: \u201cPor que o senhor escreve no facebook, professor? No facebook, as pessoas s\u00f3 leem textos curtos. Isso quando leem! O pessoal est\u00e1 mais interessado em joguinhos ou postar coisas idiotas sobre a pr\u00f3pria intimidade. Por que o senhor n\u00e3o escreve um livro?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Primeiro: Adorei o contato com uma pessoa t\u00e3o distante no tempo e no espa\u00e7o, afinal uma vez aluna, sempre aluna. Contudo, disse-lhe que achei a opini\u00e3o algo limitada. Para mim, um pontos centrais \u00e9 o car\u00e1ter democr\u00e1tico do Facebook. Cada um posta o que bem entende, o que considera mais importante para si. Quem n\u00e3o gostar de qualquer post, pode se manifestar livremente. Nada \u00e9 imposto. O Facebook pode vir a se tornar um grande centro de debate intelectual? At\u00e9 pode. Mas, n\u00e3o \u00e9 essa a proposta. Se n\u00e3o fossem as redes sociais, os protestos talvez nem acontecessem de forma t\u00e3o significativa e n\u00e3o haveria tantas discuss\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es sobre elas. H\u00e1 pontos negativos? Claro, por\u00e9m ser her\u00f3i ou vil\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de ponto pode vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo: Eu e o Rodrigo, ex-aluno e parceiro, bancamos a publica\u00e7\u00e3o de um livro com meus poemas e bel\u00edssimas gravuras dele. Acreditamos que confeccion\u00e1ramos uma obra prima. Ela at\u00e9 provocou uma an\u00e1lise muito sens\u00edvel e inteligente da jornalista Vanessa Maranha (Com\u00e9rcio da Franca, 13 de dezembro de 2008) e coment\u00e1rios elogiosos e gentis do Dr. Brasil Salom\u00e3o (jornal A Cidade), advogado renomado. S\u00e3o as duas pessoas que, com certeza, leram \u201cImagin\u00f4, Cri\u00f4, Circul\u00f4\u201d. Como n\u00e3o conseguimos vend\u00ea-lo nas livrarias, passamos a d\u00e1-lo de \u201cpresente\u201d para alguns \u201celeitos\u201d ou participarmos de campanhas de distribui\u00e7\u00e3o gratuita. Um espertinho, agraciado com ele, numa campanha de circula\u00e7\u00e3o gratuita, tentou vend\u00ea-lo pela metade do pre\u00e7o da livraria num sebo de Batatais. Se deu mal, est\u00e1 l\u00e1 encalhado. Se \u201cde escritor e louco todo mundo tem um pouco\u201d, j\u00e1 demos a nossa contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do ditado. E chega. Esses fatos at\u00e9 me deram um mote para escrever um artigo: \u201cQuem l\u00ea poesia?\u201d. Por sinal, poucas pessoas leram o artigo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Terceiro: As pessoas escrevem para serem lidas e eu n\u00e3o sou diferente. Vaidade? Necessidade? Terapia\u2026? A resposta para essas quest\u00f5es n\u00e3o as tenho prontas, tenho algumas poucas suposi\u00e7\u00f5es. Aprendi \u00e0 custa de uma total mudan\u00e7a de vida que, quem quiser fazer terapia, que v\u00e1 a um psic\u00f3logo ou a um psiquiatra. Escrever pode ser, entre outras coisas, por dor, medo ou prazer. Para fazer terapia, jamais. Como sou movido a desafios, quem sabe n\u00e3o seja pela vontade visceral de lutar com as palavras no ringue no qual se transforma uma tela em branco tal como uma p\u00e1gina de papel? Talvez seja pelo simples fato de sentir com os dedos, ossos, pele, olhos e mente, que ainda estou vivo. Talvez seja o velho h\u00e1bito de ser mais provocador que professor. V\u00e1 saber?! Escrever \u00e9 doloroso, refazer o texto um trabalho suado, desgastante, por isso, em cada escritor, h\u00e1 certo sadismo em provocar o leitor e masoquismo para, al\u00e9m de enfrentar as palavras, submeter-se ao crivo impiedoso dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quarto: O autor de um livro constr\u00f3i um texto individual, uma ideia fechada, apesar de suscitar milhares de outras ideias no leitor. Na maioria das vezes, os que se aventuram a mergulhar numa obra, n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser guardar para si suas impress\u00f5es. N\u00e3o t\u00eam com quem dividi-las. No facebook, o texto \u00e9 uma obra aberta, coletiva, compartilhada. O texto anda. H\u00e1 textos meus em provas de concursos, em sites de universidades, em blogs que jamais vi. Um foi parar numa igreja em Apodi, no Acre. N\u00e3o tenho a m\u00ednima ideia onde fica Apodi e muito menos por que o meu texto foi para l\u00e1. H\u00e1 alguns que tenho certeza de que n\u00e3o fui eu que escrevi. Em outros apagaram o meu nome e assumiram autoria. Ent\u00e3o, devem provocar algo em algu\u00e9m, para fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quinto: Minhas id\u00e9ias n\u00e3o cabem numa lata de sardinha, por isso minha pondera\u00e7\u00f5es s\u00e3o longas, doa a quem doer. N\u00e3o me preocupo com agradar quem quer que seja. N\u00e3o tenho coragem de redigir sobre um tema sobre o qual n\u00e3o pesquisei \u00e0 exaust\u00e3o. Nada contra, mas n\u00e3o escreveria sobre vampiros nem bruxinhos. Meu novo livro seria tamb\u00e9m distribu\u00eddo entre os amigos, as editoras precisam sobreviver. Sempre agrade\u00e7o aos que t\u00eam a paci\u00eancia de ler minhas cr\u00f4nicas e meus artigos. Procuro responder a cada um que se predisp\u00f5e a coment\u00e1-los, afinal a contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para os pr\u00f3ximos. Aprendi que, quando algu\u00e9m conversa com voc\u00ea, merece total aten\u00e7\u00e3o. Desses coment\u00e1rios muitas vezes nasce o pr\u00f3ximo texto. \u00c9 isso. Espero que sempre tenham prazer nas leituras. <em><strong>Publicado no Blog do Luiz Cl\u00e1udio<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Luiz Cl\u00e1udio Jubilato Uma ex-aluna, que n\u00e3o vejo h\u00e1 anos, me perguntou: \u201cPor que o senhor escreve no facebook, professor? No facebook, as pessoas s\u00f3 leem textos curtos. Isso quando leem! O pessoal est\u00e1 mais interessado em joguinhos ou postar coisas idiotas sobre a pr\u00f3pria intimidade. 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