{"id":108,"date":"2014-04-09T11:38:48","date_gmt":"2014-04-09T14:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/cursocriar.com\/artigos\/?p=108"},"modified":"2014-04-09T11:38:48","modified_gmt":"2014-04-09T14:38:48","slug":"o-conceito-moral-de-clic-clic-clic","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cursocriar.com\/blogluizclaudio\/2014\/04\/09\/o-conceito-moral-de-clic-clic-clic\/","title":{"rendered":"O CONCEITO MORAL DE CLIC CLIC CLIC"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\n\t<span>(O BOCA DO INFERNO &#8211; 9\/3\/2014)<\/span><\/p>\n<p>\t<span>Enquanto rabisco bobagens nessa tela est&uacute;pida que me corrige quando me concentro em errar. Meu vocabul&aacute;rio intoxicante atesta minhas idiossincrasias. Escrevo para n&atilde;o me entenderem. N&atilde;o tenho saco para essa hist&oacute;ria de ser f&aacute;cil para ser compreendido. Se entenderem, o recurso final atende pelo nome de suic&iacute;dio&hellip; Imbecilidade cultur<\/span><span class=\"text_exposed_show\">al.<\/p>\n<p>\tL&aacute; fora, um ser quase humano tornado voz, berra. E chora. Depois o choro mi&uacute;do farfalha. N&atilde;o importa o cano de descarga dos &ocirc;nibus, nem a descargas casas. N&atilde;o importa o comedor de fogo que n&atilde;o ganha um centavo no sinal. Esse pa&iacute;s nunca valorizou artistas. Muito menos os mambembes. A pena forjada n&atilde;o d&aacute; o tempo de baixar o vidro. D&aacute; para ver a cara amarela empurrar a moeda de novo para o bolso ao primeiro sinal do vermelho virar verde, cor da tranquilidade.<\/p>\n<p>\tXinga baixo, quase muda, a mo&ccedil;a da bengala. O mundo ouve o clic da m&aacute;quina. Flash. A objetiva avan&ccedil;a. S&oacute; ela. As pessoas, n&atilde;o. Estacam. Jornalista &eacute;. Vive de lapsos, de momentos. Manter a equidist&acirc;ncia profissional da not&iacute;cia. &Eacute; fato. No ponto do &ocirc;nibus, cada olho tem um norte. Nem um olha em frente. De frente.<\/p>\n<p>\tS&oacute; mais uma subtra&ccedil;&atilde;o de valor pessoal, disse o policial no jarg&atilde;o policial. No ponto toda estaca &eacute; surda-muda. Nenhuma &eacute; testemunha. O medo fede. O medo &eacute; ferom&ocirc;nio para bandido ou sobrevivente ou craqueiro demente. Canelas finas fogem. O c&atilde;o sarnento corre. &Uacute;nico. Toma uma atitude. Arrebenta o medo com um latido. O ganido rasga o sil&ecirc;ncio das motos sirenes apitos &ocirc;nibus buzinas&hellip;<\/p>\n<p>\tO rep&oacute;rter pega pelo bra&ccedil;o a personagem do momento, desconhece sua bengala. Sensacional: a v&iacute;tima cega roubada estava da posse de uma marmita. Arroz com feij&atilde;o. Onde estaria ela agora? O comandante esbraveja na entrevista com pinta de macho alfa. Esbraveja a incapacidade da pol&iacute;cia. Quem &eacute; o bandido? A pol&iacute;cia que atira ou o bandido que tira? A c&acirc;mera desliga. Depois da mat&eacute;ria, sensacional: O comandante enfia a viola no saco. A prefeita n&atilde;o foi encontrada. Seu assessor tamb&eacute;m n&atilde;o. Nem o assessor do assessor. O sil&ecirc;ncio vira tapa na cara da popula&ccedil;&atilde;o. A pol&iacute;cia &eacute; v&iacute;tima. O mundo &eacute; redondo. A pol&iacute;cia sabe; cada um de n&oacute;s, tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>\tAbro a porta da sacada. Estou, no 14&ordm; andar. Minha falta de vis&atilde;o est&aacute; acima da cegueira da mo&ccedil;a cega. Vejo o mundo de cima. Minha indigna&ccedil;&atilde;o dura at&eacute; a hora do almo&ccedil;o. Franco com polenta e frango. N&atilde;o vi a cara dela. N&atilde;o como de marmita. S&oacute; vejo o pesco&ccedil;o. S&oacute; lembro do policial falando no jarg&atilde;o policial: &ldquo;Ainda bem que subtra&iacute;ram uma marmita, n&atilde;o subtra&iacute;ram uma vida&rdquo;. Ser&aacute;? Quem &eacute; mais bandido: o bandido que sente culpa ou a pol&iacute;cia que inventa desculpas?<\/p>\n<p>\tPretensiosos, escritores, poetas, intelectuais, idiotas de todas as estirpes veem o mundo de cima. Tecem suas teses antropof&aacute;gicas. Antropol&oacute;gicas. Supostamente l&oacute;gicas. Ajoelham-se diante das evid&ecirc;ncias. Ficam de quadro. O rabo abanando. Estacas. Nem sequer imitam um c&atilde;o sarnento ganindo. Interferem de longe, acobertados pela dist&acirc;ncia entre escrever, ler e entender.<\/p>\n<p>\tEsses, plantas carn&iacute;voras, parasitam a vida dos outros vampirizam o anomimato, vivem de sugar a pele e a reinventar os outros que acham que existem de fato, quando s&oacute; existem no fato.<\/p>\n<p>\tEnquanto rabisco nessa porra desse teclado que insiste em n&atilde;o me deixar errar. Acho que a ponta do meu dedo corre para o final da linha, como p&otilde;e final a uma vida. Inventada. N&atilde;o &eacute; um ponto de &ocirc;nibus, nem um ponto crucial.<\/p>\n<p>\tL&aacute; fora o mundo &eacute; real. Gente come gente. Comem-se com seus olhos, suas bocas, suas palavras, sua burrice, suas ideologias, seus estratagemas, suas drogas. O mundo &eacute; redondo disse o meu av&ocirc;. O c&atilde;o, &uacute;nico a morder uma canela fina, de um bando ido, me diz no 14&ordm; andar: o mundo &eacute; uma droga. Ningu&eacute;m toma partido. Todo mundo desaprendeu a gritar. Clic. Desaprendeu a pensar. Clic Clic clic clic<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(O BOCA DO INFERNO &#8211; 9\/3\/2014) Enquanto rabisco bobagens nessa tela est&uacute;pida que me corrige quando me concentro em errar. Meu vocabul&aacute;rio intoxicante atesta minhas idiossincrasias. Escrevo para n&atilde;o me entenderem. N&atilde;o tenho saco para essa hist&oacute;ria de ser f&aacute;cil para ser compreendido. 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